sábado, 2 de agosto de 2014

De onde vieram os quatros símbolos dos Evangelhos?


Como foram atribuídos os símbolos dos quatro Evangelhos? A arte cristã sempre representou cada evangelista por um ser vivente: São Mateus é simbolizado por um homem; São Marcos, por um leão; São Lucas, por um touro; e São João, por uma águia.
O fundamento desses ícones é bíblico. O livro do Apocalipse de São João, por exemplo, traz a visão de quatro seres viventes que rendiam glória a Deus:
“O primeiro animal vivo assemelhava-se a um leão; o segundo, a um touro; o terceiro tinha um rosto como o de um homem; e o quarto era semelhante a uma águia em pleno voo. (...) Não cessavam de clamar dia e noite: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Dominador, o que é, o que era e o que deve voltar.” [1]
Os mesmos quatro animais estão em outra visão do profeta Ezequiel:
“Distinguia-se no centro a imagem de quatro seres que aparentavam possuir forma humana. (...) Quanto ao aspecto de seus rostos tinham todos eles figura humana, todos os quatro uma face de leão pela direita, todos os quatro uma face de touro pela esquerda, e todos os quatro uma face de águia.” [2]
Mas, afinal, por que esses quatro animais foram identificados com os evangelistas? O primeiro autor cristão a utilizar essa analogia foi Santo Irineu de Lião [3], seguido por Santo Agostinho [4]. Os dois, no entanto, associaram os animais aos evangelistas de forma diferente da que se usa hoje, posto que a ordem dos Evangelhos, no começo da Igreja, ainda não estava bem definida.
Foi São Jerônimo quem começou a tratar os evangelistas da forma como são tratados hoje. São Gregório Magno explica com clareza por que referenda a sua atribuição:
“Que na verdade estes quatro animais alados simbolizam os quatro santos evangelistas, é o que demonstra o próprio início de cada um destes livros dos evangelhos. Mateus é corretamente simbolizado pelo homem porque ele inicia com a geração humana; Marcos é corretamente simbolizado pelo leão, porque inicia com o clamor no deserto; Lucas é bem simbolizado pelo bezerro, porque começa com o sacrifício; João é simbolizado adequadamente pela águia, porque começa com a divindade do Verbo, dizendo: ‘No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus’ (Jo 1, 1), e assim tem em vista a substância divina, fixando o olhar no sol à maneira de uma águia.”
Na mesma homilia, o Papa e doutor da Igreja vai ainda mais fundo na meditação da profecia de Ezequiel:
“Mas, já que todos os eleitos são membros do nosso Redentor e o próprio nosso Redentor é a cabeça de todos os eleitos, através daquilo que simboliza os seus membros nada impede que neles todos ele também seja simbolizado. Assim, o próprio Filho Unigênito de Deus se fez verdadeiramente homem; ele se dignou morrer como bezerro como sacrifício de nossas redenção; ele, pelo poder de sua força, ressuscitou como leão.”
“Conta-se que o leão dorme até mesmo de olhos abertos, assim, o nosso Redentor pela sua humanidade pôde dormir na própria morte, e pela sua divindade ficou acordado permanecendo imortal. Ele também depois de sua ressurreição subindo aos céus, foi elevado às alturas como uma águia. “
“Portanto, ele é inteiramente para nós, seja nascendo como homem, seja morrendo como bezerro, seja ressuscitando como leão, seja subindo aos céus como águia.”
“Mas, (...), estes animais simbolizam os quatro evangelistas e ao mesmo tempo, através deles, todos as pessoas perfeitas. Falta-nos então demonstrar como cada um dos eleitos se encontram nesta visão dos animais.”
“De fato, cada pessoa eleita e perfeita no caminho de Deus é seja homem, seja bezerro, seja leão, seja águia. De fato o homem é um animal racional. O bezerro é o que se costuma oferecer em sacrifício. O leão é a mais forte das feras, como está escrito: ‘O leão, o mais bravo dos animais, que não recua diante de nada’ (Pr 30, 30). A águia voa para as alturas, e sem piscar dirige seus olhos aos raios do sol. Assim, todo o que é perfeito na inteligência é homem. E quando mortifica a si mesmo e a concupiscência deste mundo é bezerro. É leão porque, por sua própria e espontânea mortificação, tem a fortaleza da segurança contra todas adversidades, como está escrito: ‘O justo sente-se seguro e sem medo como um leão’ (Pr 28, 1). É águia porque contempla de forma sublime as coisas celestes e eternas. Sendo assim, qualquer justo é verdadeiramente constituído homem pela razão, bezerro pelo sacrifício de sua mortificação, leão pela segurança da fortaleza, águia pela contemplação. Assim, através destes santos animais, se pode simbolizar cada um dos perfeitos.” [5]
Agradeçamos a Deus pelo envio de Seu Verbo, manifestado a nós pelo dom de um “Evangelho quadriforme”, como diz Santo Irineu de Lião, lembrando sempre que nenhum livro é capaz de conter Jesus Cristo [6].
Referências

1.  Ap 4, 7-8
2.  Ez 1, 5.10. Trata-se de uma visão provavelmente influenciada pela cultura assíria – lembrar que, nessa época, o povo de Deus estava exilado na Síria –, que tinha o Lamassu, um touro com cabeça de homem, patas de leão e asas de águia, como divindade protetora.
3.  Contra as Heresias, 3.11.8
4.  O Consenso dos Evangelistas, 1.6.9
5.  São Gregório Magno, Homilia sobre Ezequiel, 4.1-2
6.  Cf. Jo 20, 30-31

fonte: https://padrepauloricardo.org/episodios/de-onde-vieram-os-quatro-simbolos-dos-evangelhos?utm_content=buffer22ea3&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

terça-feira, 15 de julho de 2014

Cafeeiro - da flor ao fruto maduro

Este pé de café está plantado no jardim de minha casa, a semente eu trouxe da Fazenda Monte Belo, Colina SP, no ano de 1976. Essa semente foi da primeira colheita de uma lavoura que o sr. João Ademar havia plantado bem ao lado do Grupo Escolar do Monte Belo. Este cafeeiro está produzindo ja a mais de trinta anos. Eu já podei, e também já cortei três ou quatro vezes; sempre que fica alto e feio eu corto e ele brota, formando novamente um pé robusto e formoso e produz bastante.
café abotoado 
café florido
 café grãos pequenos
café grãos bem granados
 frutos em maturação
 grãos em cereja
frutos maduros - fazer a colheita 
 estendido no terreiro
café em processo de secagem
café seco

Liturgia




A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA E A CELEBRAÇÃO DA SANTA MISSA



Neste artigo abordaremos, sob alguns poucos aspectos, a Renovação Carismática em face da Renovação Litúrgica do Concílio Vaticano II com desejo de lançar uma maior luz sobre algumas questões práticas tais como musicalidade, gestos, palmas, abordando, até, a questão das manifestações carismáticas e as “Missas de Cura e Libertação”. Boa leitura.

O início da Renovação Carismática e a Renovação Litúrgica do Concílio Vaticano II

Em seu livro Renovación en el Espíritu Santo a teóloga espanhola Denise S. Brakebrough dedica todo o primeiro apartado do mesmo a falar dos antecedentes históricos da Renovação Carismática Católica¹. Três professores da Universidade de Duquesne e do Espírito Santo em Pittsburgh, Pensilvânia, foram as primeiras sementes daquele que foi o marco inicial (e não a fundação!) da Renovação Carismática Católica, tal como a conhecemos hoje. São eles: William G. Storey, Ralph Keifer e Patrick L. Bourgeois.

Finalizando o Concílio Vaticano II e impactados por seus ensinamentos, três professores leigos, de Filosofia e Teologia, membros da Universidade de Duquesne e do Espírito Santo, William G. Storey, Ralph Keifer e Patrick L. Bourgeois, que desde o outono de 1966 se reuniam com frequência em grupos de oração, pensaram em “fazer algo”. Há necessidade de mencionar-se que, durante a década dos anos sessenta, havia se produzido, nos Estados Unidos, uma onda de entusiasmo pelas vigílias bíblicas e os encontros de oração. Este era o ambiente que reinava [...] Fomentava-se a atividade litúrgica, o testemunho cristão e a ação social.

... Ditos professores começaram a pedir, em oração, que o Espírito Santo lhes concedesse essa renovação e que o vazio que sentiam fosse preenchido pelo Senhor ressuscitado. Para isso, começaram a rezar o “Vem, Espírito Santo”, da sequência que se recita na liturgia do domingo de Pentecostes. Ao mesmo tempo, esmeraram-se no estudo do Novo Testamento, especialmente as partes que detalhavam a vida da Igreja primitiva dos primeiros séculos.

William G. Storey era professor de Teologia e sua especialização era justamente a Liturgia. Segundo Storey, seu entusiasmo pela experiência que hoje se denomina Renovação era alimentado por seus estudos no que tange às origens e desenvolvimento das liturgias orientais e ocidentais e a sua triste constatação de que havia um declínio acontecendo com a nossa forma litúrgica de transmitir ao homem hodierno os mistérios celebrados e que havia, portanto, uma desesperada necessidade de uma profunda revitalização. As reformas propostas pelo Concílio Vaticano II foram motivo de enorme entusiasmo. William via que as diversas tradições cristãs (orientais e ocidentais, Católicas, Ortodoxas e protestantes) deveriam oferecer seus tesouros espirituais mutuamente (também o Frei Raniero Cantalamessa comenta num de seus artigos a respeito da capacidade de Deus de tirar algo grandioso daquilo que foi um mal – a nossa divisão – uma vez que cada tradição cristã desenvolveu algum aspecto da vida cristã com maior ênfase; a nossa unidade trará grande benefício a Igreja).

O Concílio Vaticano II nos ofereceu o Missal de Paulo VI com o único desejo de aumentar a participação do povo de Deus na celebração da Divina Liturgia. Durante muito, mas muito tempo, o povo simples e humilde (ou seja, 90% dos Latino Americanos, o que significa dizer que estamos falando da esmagadora maioria dos católicos do mundo) “assistia” a Santa Missa; conseguiam entender em que "parte" da missa o Padre se encontrava, é evidente, e tiravam proveito, quem sabe, da homilia e da comunhão eucarística. Contudo, a maioria das pessoas rezava o terço enquanto o padre “dizia a missa”. Nenhum conservador realmente honesto pode desdizer esses fatos.

Deste modo, o povo católico “ficou” com aquilo que lhe era mais tangível: os devocionais voltados aos santos, as procissões, enfim, tudo isto que forma parte daquilo que chamamos de religiosidade popular. É o Documento da V Conferencia do Episcopado Latino Americano e Caribenho – e não eu! – quem identifica este fenômeno como uma das causas principais do “desmoronamento” da fé católica, com o consequente crescimento das seitas (pois o povo tem sede do conhecimento de Deus).

O Missal de Paulo VI e suas mudanças, contudo, “mudaram” essa realidade? Trouxeram o povo católico a um maior entendimento dos mistérios celebrados na "Divina Liturgia"? Será que o povo não está mergulhado numa religiosidade meramente popular – ainda – e o crescimento das seitas não está cada vez mais em ascensão?

O Papa Emérito Bento XVI, na última catequese, falou-nos sobre a renovação litúrgica do Concílio Vaticano II (e o ambiente de entusiasmo que havia sobre isto). Dizia o Papa que não bastava traduzir a missa e disponibilizá-la na língua materna de cada nação; tão pouco bastava inserir participações do povo, ou “virar” o altar. Fazia-se (e ainda se faz) necessária uma profunda evangelização, uma profunda catequese!

Muito bem! Agora... Também é fato que a catequese necessita ser antecedida peloanúncio, pelo Kerygma, capaz de levar o fiel a uma experiência pessoal, íntima e transformadora com Jesus Cristo (o Encontro Com Cristo, tão mencionado pelo Documento de Aparecida).

Chegamos ao ponto de intersecção entre a Renovação Litúrgica e a Renovação Carismática Católica. Por meio da experiência denominada nos estatutos do ICCRS (International Catholic Charismatic Renewal Services), aprovados pela Santa Sé, deBatismo no Espírito Santo, o fiel encontra um caminho esplêndido uma experiência pessoal com Jesus Cristo. A pregação do Evangelho sob o “poder do Espírito Santo” – expressão utilizada pelo Apóstolo São Paulo para denominar as manifestações carismáticas – promove esta experiência que leva o fiel a uma sede profunda das fontes de vida espiritual que, por nossa catolicidade, são os sacramentos, a leitura da Palavra, a Oração, etc.

Neste sentido, o Batismo no Espírito Santo abre o coração do fiel para a Catequese, o que lhe permitirá uma participação mais vívida e eficaz dos sacramentos e, sobretudo, dos divinos mistérios celebrados na Eucaristia. Aliás, este é o testemunho das primeiras comunidades cristãs recolhido nos escritos patrísticos².

A Renovação Carismática Católica e a Animação Litúrgica

A “célula básica”, o “proprium” do Movimento Carismático tem nos chamados Grupos de Oração o seu verdadeiro lar. Estes grupos são caracterizados (ou eram, pelo menos) pela liberdade no Espírito, expressa por meio de palmas, danças e muita alegria (tal qual encontramos nos Salmos). Tudo isto faz parte da expressão de louvor docarismático, e ele encontra na Sagrada Escritura fundamentações muito sólidas para assim proceder³. Outra característica sine qua non dos Grupos de Oração são asmanifestações carismáticas.

A imensa maioria dos “católicos carismáticos” relatam a seguinte experiência:

“Eu sempre fui católico; contudo, eu era desses católicos que vão a missa e 'pronto'. Depois que eu estive num Grupo de Oração da Renovação Carismática, tive um encontro pessoal com Nosso Senhor Jesus Cristo e a minha vida mudou”.

Podemos levantar várias questões:

Estas pessoas não encontraram Jesus na Eucaristia?

Não é a Eucaristia a presença real de nosso Salvador (aliás, inigualável presença)?

A causa já nos foi explicada pelo Papa Bento XVI na citação que fiz acima. Como a graça de Deus pressupõe a natureza, não basta "traduzir" a missa para que ela se torne realmente acessível ao povo. Aliás, por que será que 90% das nossas crianças que estão fazendo primeira comunhão e crisma não estão “nem aí” para a Igreja? Será que “dar catequese” a pessoas que não tiveram uma experiência com Jesus não é semelhante a – com o perdão da palavra (apesar de as palavras não serem minhas, mas de Jesus) – atirar pérolas aos porcos?

Deste modo, perceba como é quase elementar para o carismático católico mal instruído a conclusão de que ele precisa tornar a Missa o mais semelhante possível ao Grupo de Oração onde ele teve sua experiência com Jesus Cristo. Palmas, danças, gestos e orações “carismáticas” começam a ser introduzidas na Santa Missa não porque o povo seja herege; eu diria que, na maioria das vezes, as intenções são as melhores e mais belas.

Precisamos instruir a nossos irmãos, portanto, no que tange ao correto modo de celebrar a Eucaristia tendo em nós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus. A Santa Missa é um culto infinitamente superior ao que prestamos a Deus em nossos Grupos de Oração. Em realidade, na Santa Missa é o Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo, quem age por nós e a nosso favor. Nossas palavras e gestos são um memorial, um Rito.

Deus fez uma série de Alianças com o homem. Cada aliança teve um mediador, com um rito de celebração próprio e previa uma benção (no cumprimento da mesma) ou uma maldição (no descumprimento da mesma). Dentre estas Alianças, ressalto a da Páscoa dos Israelitas, quando eles imolaram e comeram o cordeiro ainda no Egito para, depois, atravessarem o mar vermelho a pé enxuto. Os israelitas receberam instruções para organizar o rito e fazer memória, reviver, ano após ano, a Aliança feita com Deus. Toda a liturgia e o ministério dos levitas nasceu neste momento. Israel, ano após ano, imolou e comeu o cordeiro dentro do rito litúrgico previsto na Lei. Nosso Senhor Jesus Cristo, Mediador da Nova e Eterna Aliança, estabeleceu, na última ceia, o Rito da Nova e Eterna Aliança pelo qual se faria memória - no sentido bíblico de "tornar atual", reviver - do cordeiro imolado e se comeria a Sua carne e se beberia o Seu sangue.

Portanto: A Santa Missa é o Rito da Nova e Eterna Aliança onde o Mistério da imolação do Cordeiro (único e suficiente) é ratificado perenemente (dia após dia), a fim de participarmos da Aliança, comendo a carne e bebendo o sangue do Cordeiro, que se dá na Eucaristia. Neste Rito, Jesus Cristo é quemage a nosso favor. É nosso sábado onde todo o trabalho humano deve cessar (leia Jesus de Nazaré, do Papa Emérito Bento XVI, especialmente sobre a questão da Sábado)... É Deus quem trabalha. A Igreja recolheu a herança dos Apóstolos e seus sucessores nos manuais litúrgicos, a fim de que façamos cada gesto de acordo com o espírito do Rito, prescrito nos mesmos, porque a nós cabe, na Celebração Eucarística, "descansar". É, repito, o nosso Sábado. Aquilo que nós podemos fazer, os nossos esforços... Cessam, revelam-se incapazes diante da obra que só Deus mesmo pode fazer. Repetimos palavras e gestos na certeza de que é o Espírito Santo quem estará nos fazendo partícipes da única e irrepetível Eucaristia celebrada pelo Senhor Jesus, consumada na cruz e perpetuada através do séculos por meio da Igreja.

Rito é rito! Não se preocupe em inventar... É o seu sábado. Quem trabalha é Deus. Basta viver a liturgia e beber da graça. Isto não significa que sou adepto do rigorismo e fundamentalismo litúrgicos que caracterizam correntes teológicas tradicionalistas (que, praticamente, consideram tudo o que veio do Concílio Vaticano II em termos de liturgia como sendo "de segunda categoria"). Perceba que, a respeito da Sagrada Escritura, Jesus disse claramente que nada, nem sequer uma letra, deveria ser retirada ou acrescentada da lei. Isto, contudo, não o guiou a uma observância fundamentalista da lei ao estilo "sola scriptura". O período patrístico também se caracterizou por esta luta contra o fundamentalismo bíblico. Da mesma forma, fidelidade à letra e ao Espírito dos manuais litúrgicos não significa, em absoluto, rigorismo. A história da Igreja nos mostra como, ao longo dos séculos, as diversas culturas influenciaram a liturgia (o que originou os diversos ritos existentes).Portanto, a questão é a seguinte: Qualquer coisa que "retire" ou "tente imprimir um significado diferente e novo" que não condiga com a tradição da Igreja deve ser abolido. Nem todo "adendo" está "retirando" ou "imprimindo um significado diferente e novo", e é por isto que muitos deles foram incorporados aos diversos ritos existentes. Respeito ao sentido litúrgico: Este é o critério.

O Apóstolo São João narra, no Apocalipse, que viu o céu aberto. “De-velar”, “tirar o véu” é o que significa a palavra Apocalipse. Parusia, no grego, antes de significar a segunda vinda, tem o sentido de “presença”. Na visão do Apocalipse, São João vê o que,a partir de agora, se tornou realidade espiritual: Homens e anjos unidos numa única liturgia de adoração e louvor ao Cordeiro que está imolado (possui as marcas dos pregos) mas, ao contrário do que aconteceu no Calvário, está vivo e é Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. No Apocalipse nós vemos o templo, sacerdotes paramentados, candelabros, cantos, incenso, momentos de silêncio, santos, anjos, a Virgem Maria, etc. Em qual outro culto cristão encontramos estes elementos que não seja na Divina Liturgia? O Apocalipse é, portanto, o verdadeiro inspirador dos nossos manuais de liturgia 4.

O Doutor Scott Hahn, autor do Livro "O Banquete do Cordeiro" demonstra como a Missa é a chave de entendimento do Apocalipse e como o Apocalipse é a chave de entendimento da Missa. De fato, quando vamos a Missa, o "Apocalipse" está diante de nossos olhos, já acontecendo, em mistério, até que se dê definitivamente na segunda vinda de Cristo.

Diante do Trono e do Cordeiro nós vemos a dimensão sacrifical, dolorosa, e também festiva, vitoriosa da Santa Missa. Dimensão sacrifical e dolorosa não quer dizer "velório" assim como dimensão festiva e vitoriosa não quer dizer "carnaval".

Aplicações Práticas

Colocarei orientações práticas para duas situações: A Santa Missa na Comunidade Paroquial (ou em qualquer outro lugar, sendo celebrada a uma comunidade aberta) e a Santa Missa celebrada em situações onde todos os participantes são carismáticos(especialmente os nossos Encontros propriamente carismáticos).

Sabemos que a Igreja falou, ao longo dos séculos, ao coração de cada uma das diversas culturas e povos, tendo a capacidade de se adaptar, recolhendo aquilo que era bom, rechaçando aquilo que era mal, sem permitir, de forma alguma, que este processo viesse em detrimento dos mistérios celebrados. É este o motivo pelo qual existem uma série de ritos diferentes para se celebrar a missa (nós estamos acostumados, no ocidente, ao Rito Romano). Ao mesmo tempo, a Santa Missa é o momento no qual toda a família de Deus (não obstante seu movimento, comunidade ou pastoral) celebra, unida junto ao Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo, a Nova Aliança. É imprescindível que, para conservar a noção de rito e guardar a unidade entre todos os participantes, se observe as prescrições dos manuais litúrgicos, como já explicamos acima.

Levantar as Mãos e Bater Palmas na Santa Missa:

“Bater palmas” e levantar as mãos na Santa Missa é algo que fere a liturgia? Depende. Estamos celebrando ao Banquete Nupcial do Cordeiro, que está imolado, mas está vivo, ressuscitado e poderoso, é verdade. Ao mesmo tempo, trata-se de fazer memória do seu sacrifício de Cruz. As duas dimensões, festiva e sacrifical, estão presentes na Divina Liturgia. Há momentos nos quais a liturgia nos pede mais ênfase na dimensão sacrifical (quaresma e advento) e momentos nos quais nos pede maior ênfase na dimensão festiva (páscoa e natal). Num momento, suprimem-se o “canto do glória” (advento); na quaresma, além do canto do glória, suprime-se o “Aleluia”. Na Páscoa abundam as exclamações de glória e Aleluia. No período do Natal há, também, toda uma ênfase festiva.

Respeitando períodos litúrgicos e os momentos do próprio Rito da Missa, não vejo como desrespeitoso que, num cântico como o glória, as pessoas possam devotamente levantar as mãos ou, até, aplaudir. Quem sabe até na procissão de entrada e na Aclamação ao Evangelho também se poderia, levando em conta os critérios acima mencionados (a ênfase do tempo litúrgico e o momento do Rito), levantar as mãos e aplaudir. Contudo, a partir do início da Liturgia Eucarística (o ofertório) não vejo fundamentações para que se batam palmas na Celebração Eucarística (estou aberto para as mesmas). No canto do “Santo” se poderia, quando muito, levantar as mãos num profundo sentimento de adoração (o que é diferente de levantar as mãos “abanando-as” ou “movimentando-as de um lado para o outro”).

Perceba que os tempos e momentos geram alguns “sentimentos”, que acompanham o sentido da ação litúrgica. É necessário respeitar isto, tendo em nós os mesmo sentimentos de Cristo. Se este gesto, em algum momento, deturpa o sentido daquele momento litúrgico... Deve ser retirado. Agora, se corrobora... Não há porque agir com rigorismo ao estilo "sola scriptura".

Instrumentos Musicais e Postura das Vozes

O instrumento preferido para a liturgia é o órgão. O canto próprio da liturgia é oGregoriano. As instruções dadas pelo Santo Padre pedem que, ao poucos, tenhamos coragem de ir reintroduzindo algumas partes da Santa Missa em canto Gregoriano (o Kyrie, o Gloria, o Sanctus, o Pater Noster, o Agnus Dei). Vi isto acontecer nas paróquias do Estados Unidos, e é muito bonito.

Temos percebido que alguns instrumentos já fazem parte da cultura musical dos povos. Qual é o critério de utilização dos mesmos? O sentido litúrgico. "Solos" de guitarra e de bateria não combinam com a Santa Missa em hipótese alguma, para citar um exemplo. Vozes gritando como se estivem no “The Voice Brasil” também destoam totalmente do sentido litúrgico. Portanto, a utilização dos instrumentos e a postura da voz deve ser amena, com ênfase no sentido do que se canta (mais que na performance artística dos músicos).

Manifestações e Orações Carismáticas

Em "missa aberta", onde pessoas de outras realidades eclesiais estão presentes, o critério será sempre não. O Apóstolo São Paulo deixou recomendações claras em I Cor 14 sobre o uso dos carismas na Assembleia. Dar vazão a uma manifestação carismática num ambiente de pessoas que desconhecem a mesma... É no mínimo temerário.

Nas missas onde todos os presentes são "carismáticos", há alguns momentos nos quais encontramos espaços adequados para a oração carismática. No momento das preces, por exemplo, vi como Dom Alberto Taveira conduz a Assembleia em oração intercessória pela Igreja e a oração em línguas se dá de forma simples e harmônica. No “Credo” existe a possibilidade de ser fazer a renúncia do mal e a profissão de fé, de modo que o carisma de libertação encontra um espaço propício. Na ação de graças o fiel pode, muito bem, orar em línguas no seu interior e, depois do espaço de silêncio, se toda a Assembleia fizer um momento de adoração (como é comum), pode-se muito bem estar abertos para a oração em línguas como expressão de adoração.

O critério será sempre o sentido litúrgico de cada momento.

Missas de Cura e Libertação

Há uma grande polêmica sobre as ditas missas de Cura e Libertação. “Toda a Missa é de cura e libertação”, dizem. Ora, todo o domingo é devotado à Santíssima Trindade, o que não impede de termos a festa da Santíssima Trindade num domingo específico. Parece cômico, mas já ouvi muitos sacerdotes criticando as missas de cura e libertação sendo que os mesmos já celebraram (e ainda celebram) Missas Afro.

A Missa é sempre a Celebração da Nova e Eterna Aliança. Ela pode, contudo, ser votiva a algum propósito específico (aos enfermos e doentes, por exemplo). Neste sentido, a Missa pode ser SIM celebrada com a intenção especial de súplicas a Deus pela cura e libertação de seu povo (aliás, cura e libertação são características marcantes do ministério de Jesus Cristo; já as missas afro...).

Este simples artigo não possui nenhum caráter oficial. São reflexões de um simples católico.

Finalizando

Convido meus irmãos da Renovação Carismática Católica a um verdadeiro esforço teológico que, respeitando a nossa essencial (e não acidental e periférica) expressão de louvor e adoração, bem como nossa essencial abertura às manifestações carismáticas, sejam contempladas e acolhidas dentro do sentido litúrgico, levando em conta a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição.

Percebo Movimentos como o Caminho Neocatecumenal se esforçando neste sentido. Que o tradicionalismo (que está invadindo realidades carismáticas neste tempo) não venha a ferir aquilo que, por mais de quarenta anos, temos vivido.
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1. Os primeiros trechos do livro de Denise K. Brakebrough foram traduzidos por mim e estão disponíveis no meu blog http://sobrearochadepedro.blogspot.com.br

2. Veja o Documento Conclusivo do Diálogo entre Católicos e Pentecostais Clássicos sob a tutela do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos. Link para o documento: http://www.cnbb.org.br/publicacoes/edicoes-cnbb/4974-tornar-se-cristao-inspiracoes-da-escritura-e-dos-textos-da-patristica-com-algumas-refl-exoes-contemporaneas-vol-2

3. Veja este artigo sobre as fundamentações para o louvor alegre, com danças, palmas e gestos http://sobrearochadepedro.blogspot.com.br/2008/04/renovacao-carismatica-catolica.html

4. Leia o Livro do Dr. Scott Hahn intitulado "O Banquete do Cordeiro".

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Criação: o maior presente de Deus para os homens

Criação: o maior presente de Deus para o homem, afirma o Papa na Audiência Geral


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sábado, 5 de abril de 2014

Pássaros


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segunda-feira, 24 de março de 2014

Francisco e a mudança na "fábrica de bispos"


Andrea Tornielli, Vatican Insider 12/03/2014

O perfil do bispo foi traçado em dois dos mais importantes discursos do Pontificado: aquele que Francisco pronunciou em junho de 2013 quando recebeu os núncios apostólicos, e aquele que fez, fundamental, em 27 de fevereiro, à Congregação para os Bispos. A estes se pode acrescentar a homilia de 25 de outubro de 2013 por ocasião das primeiras ordenações episcopais que o Papa celebrou. Nos últimos meses, estas indicações foram tomando corpo inclusive em nível operacional dentro da Congregação para os Bispos.

Na entrevista para o Vatican Insider de fevereiro, o cardeal arcebispo de Chicago Francis George, ao falar sobre a eleição do Conclave, disse: “O Conclave é um exercício de liberdade. Em primeiro lugar, a liberdade dos eleitores que devem aprender a libertar-se de qualquer tipo de interesse pessoal ou amizade ou de qualquer outro motivo para a eleição de um candidato que não seja o motivo dado durante o juramento antes do voto (“Quem é o melhor candidato para o trono de Pedro?”). Segundo, a liberdade dos candidatos que devem ser capazes de desempenhar um ministério pastoral universal (um candidato que não seja apenas subjetivamente livre, mas também objetivamente livre de qualquer “bagagem” relacionada às suas origens e ao seu passado...)”.


E este mesmo critério pode ser aplicado ao trabalho dos membros da Congregação para os Bispos, que devem propor ao Papa os nomes dos novos pastores de uma diocese. Não é mistério que há muito tempo existem “trilhos preferenciais”, grupinhos que premiam a proximidade de determinados candidatos a alguns cardeais, além de significativas ingerências, quanto ao caso específico da Itália, por parte da cúpula da Conferência Episcopal da Itália e da Secretaria de Estado. Em alguns casos, as nomeações episcopais para sedes importantes, tanto por sua história como por suas dimensões, se deram mediante a chamada “diretíssima”, isto é, o atalho que permite superar o “trâmite” da Congregação e a discussão entre os cardeais e bispos que a compõem.


Atualmente, certas influências diminuíram notavelmente. Não é nenhum segredo, por exemplo, que o cardeal Pietro Parolin (nomeado pelo Papa como membro da Congregação), ao contrário do que faziam seus predecessores, não quer interferir nas nomeações episcopais (sobretudo italianas), pois também é o secretário de Estado. E também a “diretíssima” e o poder dos grupinhos deveriam diminuir.


As indicações de Francisco, a este respeito, são claríssimas. Os núncios apostólicos, ao escolherem os candidatos ao episcopado, devem assinalar “pastores próximos das pessoas”, que “não sejam ambiciosos” e não aspirem ao posto e que não busquem constantemente, uma vez nomeados, ser promovidos para outra sede mais importante. O bispo ‘casa-se’ com sua Igreja, mas em muitos casos para com facilidade na segunda ou terceira ‘nupcia’.


“Os candidatos devem ser pastores próximos das pessoas: padres e irmãos, que sejam mansos, pacientes e misericordiosos”, pediu Francisco, convidando a deixar que os doutos se dediquem à pesquisa e ao ensino. Os candidatos ao episcopado devem amar “a pobreza, interior como liberdade pelo Senhor, e exterior, como simplicidade e austeridade de vida”, em vez de ter uma “psicologia de ‘príncipes’”. “Que não sejam ambiciosos – disse o Pontífice aos núncios –, que não busquem o episcopado e que sejam esposos de uma Igreja, sem que estejam buscando constantemente outra”.


Os bispos devem “servir” e não “dominar”. Devem ser, sobretudo, pais para seus sacerdotes, devem estar sempre dispostos a recebê-los. Além disso, devem estar próximos dos “pobres, dos indefesos e de quantos precisarem de acolhida e de ajuda”.


O Papa Francisco também escreveu à Congregação, também chamada de “fábrica de bispos”, em fevereiro e pediu-lhes que se assegurassem de que “o nome de quem foi escolhido seja, acima de tudo, pronunciado pelo Senhor”. “O Santo Povo de Deus segue falando – disse Francisco – e necessitamos de alguém que nos veja com a grandeza do coração de Deus. Não precisamos de um dirigente, de um administrador de empresa, e muito menos de alguém que esteja ao nível das nossas deficiências ou pequenas pretensões”. O papa convidou para avaliar as candidaturas sem perder de vista as necessidades das Igrejas particulares, porque “não existe um pastor padrão para todas as Igrejas”. Também convidou os membros da Congregação para elevarem-se “além das nossas eventuais preferências, simpatias, pertenças ou tendências”.


Os critérios desta eleição devem nascer da origem, da Igreja apostólica. O bispo deve ser “aquele que sabe atualizar tudo o que aconteceu a Jesus, e, sobretudo, aquele que sabe, junto com a Igreja, fazer-se testemunha da sua ressurreição”.


A tradução é de André Langer.


Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias - Quinta-feira, 13 de março de 2014


sábado, 21 de dezembro de 2013

Uma História que não foi contada


Recomendo a leitura deste livro, ele é muito esclarecedor, tanto para “inteligentes” como para “ignorantes”, crentes ou ateus.

Uma história que não é contada nas escolas

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental”. Dr. Thomas Woods

Infelizmente muitos estudantes secundários e universitários têm uma visão deformada a respeito da Igreja Católica, sua vida e sua História. Isto tem muito a ver com a imagem errada que muitos professores, de várias disciplinas, especialmente História, lhes passam. Isto gera nos estudantes uma aversão à Igreja desde os bancos escolares. Também a mídia, muitas vezes, cujos elementos foram formados nas mesmas universidades, é a causa de uma visão negativa e deturpada da Igreja. Há uma má vontade explícita contra a Igreja.

O livro “Código da Vinci”, e depois o filme de mesmo nome, bem como inúmeras matérias fantasiosas sobre a Igreja, sem provas históricas ou científicas, aumentaram em todo o mundo, ainda mais, esta visão de que a Igreja Católica é uma Instituição corrupta, perversa, que inventou a divindade de Cristo, e que sobre este mito criou uma Instituição poderosa e dominadora, e que a custa de sangue sempre se impôs ao mundo.

Nada mais errado e perverso. Mas, mesmo assim, as últimas pesquisas de opinião pública mostram que a Igreja está entre as primeiras instituições que têm a confiança do povo.

É hora de os jovens estudantes, especialmente os católicos, conhecerem o outro lado dessa “História” que é mal contada nas escolas. Hoje é lhes mostrado apenas as “sombras” da vida da Igreja, mas há uma má vontade imensa que encobre as “luzes” brilhantes de sua História de 2000 anos. Uma bem montada propaganda laicista no mundo anti-Igreja Católica, envenena os jovens e os joga contra a Igreja.

Foi a Igreja quem salvou e quem moldou a nossa rica Civilização Ocidental da qual nos orgulhamos, onde se preza a liberdade, os direitos humanos, o respeito pela mulher e por cada pessoa. Sem o trabalho lento e paciente da Igreja durante cerca de dez séculos, após a queda do Império Romano e a ameaça dos bárbaros, o Ocidente não seria o mesmo.

Foi esta civilização moderna, gerada no bojo do Cristianismo que nos deu o milagre das ciências modernas, a saudável economia de livre mercado, a segurança das leis, a caridade como uma virtude, o esplendor da Arte e da Música, uma filosofia assentada na razão, a agricultura, a arquitetura, as universidades, as Catedrais e muitos outros dons que nos fazem reconhecer em nossa Civilização a mais bela e poderosa civilização da História. E a responsável por tudo isto foi a Igreja Católica, diz o historiador americano Dr. Thomas Woods, PhD de Harvard, nos EUA. Ele afirma que:

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização”. [Woods, 2005, p. 7]

Em sua obra o Dr. Thomas apresenta muitas referências de historiadores atuais que confirmam o trabalho da Igreja na construção da Civilização Ocidental; algumas dessas citações estão citadas em nossa Bibliografia no final deste livro para quem desejar se aprofundar no assunto. Como não tenho acesso a todas elas, fiz uso de várias de suas citações referenciadas na Bibliografia.

Foi a Igreja quem humanizou o Ocidente insistindo na sociabilidade de cada pessoa humana. Mas infelizmente tudo isto é silenciado pelos que não gostam da Igreja; por isso, é essencial recuperar esta verdade intencionalmente escondida e abafada.

Há hoje no mundo um anti-Catolicismo espalhado pela mídia e pelas universidades. É dito aos jovens, mentirosamente, que a História da Igreja é uma história de ignorância, repressão, atraso e estagnação, quando a realidade é exatamente o contrário, como têm mostrado muitos historiadores modernos, e como veremos neste livro.

Na verdade a Igreja soube aproveitar o que há de bom na civilização grega e romana, não as desprezou, e soube com os valores cristãos moldar a nossa Civilização.

É preciso saber distinguir entre a “Pessoa” da Igreja, fundada por Cristo, divina, santa, e as “pessoas” da Igreja que são seus filhos, santos e pecadores. Muito se exagera, por exemplo, sobre a Inquisição e as Cruzadas; e se quer analisá-las fora do contexto da época. Isto é um absurdo histórico; ninguém pode entender um fato fora do seu contexto moral, social, psicológico, religioso, etc., da época. Um texto retirado do contexto se torna pretexto; e neste caso para se atacar, denegrir e tentar destruir a Igreja Católica, como se ela fosse vencível neste mundo.

A maioria das pessoas reconhece a influência da Igreja na música, na arte e na arquitetura, mas a influência da Igreja foi muito maior do que se pensa e se conhece. Muitos, mal informados, pensam que centenas de anos antes da época do Renascimento (século XVI), a Idade Média, foi um tempo de ignorância e repressão intelectual, sem brilho, como se fosse um tempo negro onde se imperou somente a superstição e a magia, como se em nome de Jesus Cristo, a ciência e o progresso fossem banidos. Nada mais errado. A Idade média cristã foi, na verdade, um tempo de grande desenvolvimento religioso, cultural e artístico, como veremos.

Nossa Civilização tem uma enorme dívida com a Igreja pelo sistema universitário, pelo trabalho de caridade realizado, pelo advento da lei internacional, o desenvolvimento das ciências, das artes, da música, do direito, da economia e muito mais. A Igreja Católica salvou e construiu a Civilização Ocidental. Com muita rapidez os críticos da Igreja Católica levantam e expõem os erros dos seus filhos em todos os tempos, mas, solertemente escondem as grandes realizações da Igreja em prol da humanidade.

O Dr. Thomas Woods mostra que nos últimos quinze anos, muitos historiadores e pesquisadores como A.C. Crombie, David Lindberg, Edward Grant, Stanley Jaki, Thomas Goldstein, J. L. Heilbron, Rodney Stark, Alvin Schmidt, Robert Phillips, Kenneth Pennington, Daniel Rops, Joseph Needhem, Charles Montalembert, Joseph Mac Donnell, Phillip Hughes, David Knowles, William Lecky, Harold Broad, Michel Davies, Jean Gimpel e muitos outros, mostraram a grande contribuição da Igreja para o desenvolvimento de nossa atual Civilização.

Por exemplo, a contribuição da Igreja para o desenvolvimento da ciência foi enorme; muitos cientistas foram padres. Pe. Nicholas Steno, é considerado o “pai da geologia”. O “pai da egiptologia” foi o padre Athanasius Keicher. A primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre foi o Pe. Giambattista Riccioli. Pe Rober Boscovitch é considerado o pai da moderna teoria atômica. Os jesuítas se dedicavam ao estudo dos terremotos tal que a sismologia veio a ser conhecida como a “ciência Jesuítica”. Trinta e cinco crateras da lua foram nomeadas por cientistas e matemáticos jesuítas.

J. L. Heilbron (1999), da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse que:

“A Igreja Católica Romana deu mais suporte financeiro e social ao estudo da astronomia por mais de seis séculos do que qualquer outra instituição”. Woods afirma que “o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência moderna permanece um dos mais bem guardados segredos da história moderna” [p. 5].

Foram os monges da Igreja que preservaram a herança literária do mundo Antigo após a queda de Roma diante dos bárbaros em 476.

Reginald Grégoire (1985) afirma que os monges deram “a toda a Europa… uma rede de fábricas, centros de criação de gado, centros de educação, fervor espiritual,… uma avançada civilização emergiu da onda caótica dos bárbaros”. Ele afirma que: “Sem dúvida alguma São Bento (o mais importante arquiteto do monarquismo ocidental) foi o Pai da Europa. Os Beneditinos e seus filhos foram os Pais da civilização Europeia”.

O desenvolvimento do conceito de “lei internacional” é atribuída aos pensadores dos séc. XVII e XVIII, mas na verdade surgiu no séc. XVI nas universidades espanholas católicas e foi o Padre Francisco de Vitória, professor, quem ganhou o título de “pai da lei internacional”. A lei ocidental é uma dádiva da Igreja; a lei canônica foi o primeiro sistema legal na Europa, o que deu início ao primeiro corpo coerente de leis.

Segundo Harold Berman (1974), “foi a Igreja que primeiro ensinou ao homem ocidental um sistema moderno de lei. A Igreja primeiro ensinou que conflitos, estatutos, casos, e doutrina podem ser reconciliadas por análises e sínteses”. A formulação dos direitos, que surgiu da civilização ocidental, não veio de John Looke e Thomas Jefferson, mas muito antes, das leis canônicas da Igreja Católica.

Alguns historiadores de economia antiga afirmam que a moderna economia, surgiu com Adam Smith e outros teóricos da economia do séc. XVIII, mas estudos recentes estão mostrando a importância do pensamento econômico dos Escolásticos da Igreja, particularmente os teólogos católicos espanhóis e séc. XV e XVI. O grande economista Joseph Schumpeter considera que esses pensadores católicos foram os fundadores da ciência econômica moderna.

Woods cita Lecky, um historiador do séc. XIX, crítico contra a Igreja, que admitiu que, tanto no campo espiritual como no compromisso da Igreja com os pobres, foi feito algo novo no mundo ocidental e que representou um grande crescimento em relação à Antiguidade.

Assim, a Igreja berçou a Civilização Ocidental em todos os seus campos: arte, filosofia, física, matemática, música, arquitetura, direito, economia, moral, ciência, letras, línguas, etc…

Para se ter ideia da importância da Civilização Ocidental, construída pela Igreja Católica, basta ver, por exemplo, a noticia de 29 janeiro de 2007, publicada pela EFE que diz: “Intocáveis da Índia poderão entrar em templos”. Ela diz que os “dalit”, conhecidos como “intocáveis”, pessoas excluídas da sociedade indiana por estar fora do sistema de castas, poderão finalmente entrar em um templo de Orissa (leste da Índia) pela mesma porta que o resto da população, após 300 anos de proibição, conforme informou o jornal “Hindustan Times”.

Infelizmente hoje o homem ocidental se afasta de Deus e da Igreja, perigosamente, colocando em risco a própria civilização. O Papa Bento XVI assim definiu a situação do mundo hoje:

“[...] no mundo ocidental de hoje vivemos uma nova onda de iluminismo drástico, ou laicismo, como se queira chamá-lo. Tornou-se mais difícil ter fé, pois o mundo no qual estamos é completamente feito por nós mesmos, e nele Deus, por assim dizer, já não comparece diretamente. Não se bebe mais diretamente da fonte, mas sim do recipiente em que a água nos é oferecida. Os homens reconstruíram o mundo por si mesmos, e tornou-se mais difícil encontrar Deus neste mundo” (Entrevista em Castel Gandolfo, 5 de agosto de 2006 ).

Devemos conhecer ao menos um pouco do trabalho maravilhoso da Igreja para salvar e construir a nossa rica Civilização Ocidental. Isto custou o sangue, o suor e as lágrimas de muitos filhos da Igreja. Se muitos deles não estiveram a altura do lugar que ocuparam, a grande maioria soube amar a Jesus Cristo e a Sua Igreja.

Prof. Felipe Aquino

(Retirado do livro: “ Uma história que não é contada”- Ed. Cléofas)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Toda criança não nascida tem a face de Jesus




...afirma Papa a médicos católicos


Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu esta sexta-feira, no Vaticano, os participantes do X Encontro da Federação Internacional das Associações Médicas Católicas. De 18 a 22 de setembro, médicos de todo o mundo debatem em Roma o tema “Catolicismo e cuidados maternos”.

Em seu discurso, o Pontífice propõe três reflexões, sendo a primeira delas a “situação paradoxal” que se assiste hoje em relação à profissão médica. De um lado, os progressos da medicina e, de outro, o perigo de que o médico perca a sua identidade de servidor da vida.

“A situação paradoxal se constata no fato de que, enquanto se atribuem novos direitos à pessoa, nem sempre se tutela a vida como valor primário e direito primordial de todo homem. O fim último do agir médico permanece sempre a defesa e a promoção da vida.”

Neste contexto contraditório, a Igreja apela à consciência de todos os profissionais e voluntários da saúde, de modo especial aos ginecologistas, chamados a colaborar ao nascimento de novas vidas humanas.

Uma mentalidade difundida do útil, a “cultura do descartável”, que hoje escraviza o coração e a inteligência de muitas pessoas, tem um custo altíssimo: pede que se eliminem seres humanos, sobretudo se fisicamente ou socialmente mais fracos. A nossa resposta a esta mentalidade é um “sim” à vida, convicto e sem hesitações. As coisas têm preços e podem ser vendidas, mas as pessoas têm dignidade, valem mais do que as coisas e não têm preço. Por isso, a atenção à vida humana na sua totalidade se tornou nos últimos tempos uma prioridade do Magistério da Igreja.

No ser humano frágil, afirma ainda Francisco, cada um de nós é convidado a reconhecer a face do Senhor, que na sua carne humana experimentou a indiferença e a solidão às quais frequentemente condenamos os mais pobres, seja nos países em desenvolvimento, seja nas sociedades opulentas. Toda criança não nascida, mas condenada injustamente ao aborto, tem a face do Senhor, que antes mesmo de nascer, e logo recém-nascida, experimentou a rejeição do mundo. E cada idoso, mesmo se doente ou no final de seus dias, traz consigo a face de Cristo. Não podem ser descartados!

O terceiro aspecto, disse o Papa, é um mandato: sejam testemunhas e difusores desta “cultura da vida”. Ser católico comporta uma maior responsabilidade, antes de tudo para consigo mesmo, pelo empenho de coerência com a vocação cristã, e depois para com a cultura contemporânea, para contribuir a reconhecer na vida humana a dimensão transcendente, o vestígio da obra criadora de Deus, desde o primeiro instante da sua concepção. Trata-se de um empenho de nova evangelização que requer, com frequência, ir contra a corrente, pagando pessoalmente. O Senhor conta com vocês para difundir o “evangelho da vida”.

Nesta perspectiva, afirmou ainda o Pontífice, os departamentos de ginecologia são locais privilegiados de testemunho e de evangelização.

“Queridos médicos, vocês que são chamados a se ocuparem da vida humana em sua fase inicial, lembrem a todos, com fatos e palavras, que esta é sempre, em todas as suas fases e em todas as idades, sagrada e sempre de qualidade. E não por um discurso de fé, mas de razão e de ciência! Não existe uma vida humana mais sagrada do que outra, assim como não existe uma vida humana qualitativamente mais significativa de outra. A credibilidade de um sistema de saúde não se mede somente pela eficiência, mas sobretudo pela atenção e pelo amor dispensados às pessoas, cuja vida é sempre sagrada e inviolável”, concluiu Francisco, recordando aos médicos que jamais deixem de pedir ao Senhor e à Virgem Maria a força de realizar bem o seu trabalho e testemunhar com coragem o “evangelho da vida”.

(BF)

Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/09/20/toda_crian%C3%A7a_n%C3%A3o_nascida_tem_a_face_de_jesus,_afirma_o_papa_a/bra-730152
do site da Rádio Vaticano

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Formas de Tratamento e Endereçamento


Umas das características do estilo da correspondência oficial e empresarial é a polidez, entendida como o ajustamento da expressão às normas de educação ou cortesia.

A polidez se manifesta no emprego de fórmulas de cortesia ("Tenho a honra de encaminhar" e não, simplesmente, "Encaminho..."; "Tomo a liberdade de sugerir..." em vez de, simplesmente, "Sugiro..."); no cuidado de evitar frases agressivas ou ásperas (até uma carta de cobrança pode ter seu tom amenizado, fazendo-se menção, por exemplo, a um possível esquecimento...); no emprego adequado das formas de tratamento, dispensando sempre atenção respeitosa a superiores, colegas e subalternos.

No que diz respeito à utilização das formas de tratamento e endereçamento, deve-se considerar não apenas a área de atuação da autoridade (universitária, judiciária, religiosa, etc.), mas também a posição hierárquica do cargo que ocupa. 


Veja o quadro a seguir, que

agrupa as autoridades em universitárias, judiciárias, militares, eclesiásticas, monárquicas e civis;
apresenta os cargos e as respectivas fórmulas de tratamento (por extenso, abreviatura singular e plural);
indica o vocativo correspondente e a forma de endereçamento.


Autoridades Universitárias

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
ReitoresVossa Magnificência

ou

Vossa Excelência
V. Mag.ª ou V. Maga.

V. Exa. ou V. Ex.ª
V. Mag.asou V. Magas.

ou

V.Ex.as ou V.Exas.
Magnífico Reitor

ou

Excelentíssimo Senhor Reitor
Ao Magnífico Reitor

ou

Ao Excelentíssimo Senhor Reitor
Nome
Cargo
Endereço
Vice-ReitoresVossa ExcelênciaV.Ex.ª, ou V.Exa.V.Ex.as ou V. Exas.Excelentíssimo Senhor Vice-ReitorAo Excelentíssimo Senhor Vice-Reitor
Nome
Cargo
Endereço
Assessores

Pró-Reitores

Diretores

Coord. de Departamento
Vossa SenhoriaV.S.ª ou
V.Sa.
V.S.as ou V.Sas.Senhor + cargoAo Senhor
Nome
Cargo
Endereço


Autoridades Judiciárias

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
Auditores

Curadores

Defensores Públicos

Desembargadores

Membros de Tribunais

Presidentes de Tribunais

Procuradores

Promotores
Vossa ExcelênciaV.Ex.ª ou V. Exa.V.Ex.as ou V. Exas.Excelentíssimo Senhor + cargoAo Excelentíssimo Senhor
Nome
Cargo
Endereço
Juízes de DireitoMeritíssimo Juiz
ou

Vossa Excelência
M.Juiz ou V.Ex.ª, V. Exas.V.Ex.asMeritíssimo Senhor Juiz

ou

Excelentíssimo Senhor Juiz
Ao Meritíssimo Senhor Juiz

ou

Ao Excelentíssimo Senhor Juiz
Nome
Cargo
Endereço


Autoridades Militares

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
Oficiais Generais (até Coronéis)Vossa ExcelênciaV.Ex.ª ou V. Exa.V.Ex.as, ou V. Exas.Excelentíssimo SenhorAo Excelentíssimo Senhor
Nome
Cargo
Endereço
Outras PatentesVossa SenhoriaV.S.ª ou V. Sa.V.S.as ou V. Sas.Senhor + patenteAo Senhor
Nome
Cargo
Endereço


Autoridades Eclesiásticas

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
ArcebisposVossa Excelência ReverendíssimaV.Ex.ª Rev.maou V. Exa. Revma.V.Ex.asRev.mas ou V. Exas. Revmas.Excelentíssimo ReverendíssimoA Sua Excelência Reverendíssima
Nome
Cargo
Endereço
BisposVossa Excelência ReverendíssimaV.Ex.ª Rev.maou V. Exa. Revma.V.Ex.asRev.mas ou V. Exas. Revmas.Excelentíssimo ReverendíssimoA Sua Excelência Reverendíssima
Nome
Cargo
Endereço
CardeaisVossa Eminência ou Vossa Eminência ReverendíssimaV.Em.ª, V. Ema.

ou

V.Em.ª Rev.ma, V. Ema. Revma.
V.Em.as, V. Emas.

ou

V.EmasRev.mas ou V. Emas. Revmas.
Eminentíssimo Reverendíssimo ou Eminentíssimo Senhor CardealA Sua Eminência Reverendíssima
Nome
Cargo
Endereço
CônegosVossa ReverendíssimaV. Rev.ma
ou V. Revma.
V. Rev.mas
V. Revmas.
Reverendíssimo CônegoAo Reverendíssimo Cônego
Nome
Cargo
Endereço
FradesVossa ReverendíssimaV. Rev.ma
ou V. Revma.
V. Rev.mas
ou V. Revmas.
Reverendíssimo FradeAo Reverendíssimo Frade
Nome
Cargo
Endereço
FreirasVossa ReverendíssimaV. Rev.ma
ou V. Revma.
V. Rev.mas
ou V. Revmas.
Reverendíssimo IrmãA Reverendíssima Irmã
Nome
Cargo
Endereço
MonsenhoresVossa ReverendíssimaV. Rev.ma
ou V. Revma.
V. Rev.mas
ou V. Revmas.
Reverendíssimo MonsenhorAo Reverendíssimo Monsenhor
Nome
Cargo
Endereço
PapaVossa SantidadeV.S.-Santíssimo PadreA Sua Santidade o Papa
Sacerdotes em geral e pastoresVossa ReverendíssimaV. Rev.ma
ou V. Revma.
V. Rev.mas
ou V. Revmas.
Reverendo Padre / PastorAo Reverendíssimo Padre / Pastor

ou

Ao Reverendo Padre / Pastor
Nome
Cargo
Endereço


Autoridades Monárquicas

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
ArquiduquesVossa AltezaV.A.VV. AA.Sereníssimo + TítuloA Sua Alteza Real
Nome
Cargo
Endereço
DuquesVossa AltezaV.A.VV. AA.Sereníssimo + TítuloA Sua Alteza Real
Nome
Cargo
Endereço
ImperadoresVossa MajestadeV.M.VV. MM.MajestadeA Sua Majestade
Nome
Cargo
Endereço
PríncipesVossa AltezaV.A.VV. AA.Sereníssimo + TítuloA Sua Alteza Real
Nome
Cargo
Endereço
ReisVossa MajestadeV.M.VV. MM.MajestadeA Sua Majestade
Nome
Cargo
Endereço


Autoridades Civis

Cargo ou FunçãoPor ExtensoAbreviatura SingularAbreviatura PluralVocativoEndereçamento
Chefe da Casa Civil e da

Casa Militar

Cônsules

Deputados

Embaixadores

Governadores

Ministros de Estado

Prefeitos

Presidentes da República

Secretários de Estado

Senadores

Vice-Presidentes de Repúblicas
Vossa ExcelênciaV.Ex.ª ou
V. Exa.
V.Ex.as
ou V. Exas.
Excelentíssimo Senhor + CargoAo Excelentíssimo Senhor
Nome
Cargo
Endereço
Demais autoridades não contempladas com tratamento específicoVossa SenhoriaV.S.ª ou
V. Sa.
V.S.as
ou V. Sas.
Senhor + CargoAo Senhor
Nome
Cargo
Endereço


Saiba Mais

Concordância com os pronomes de tratamento

Concordância de gênero 
Com as formas de tratamento, faz-se a concordância com o sexo das pessoas a que se referem:

Vossa Senhoria está sendo convidado (homem) a assistir ao III Seminário da FALE.
Vossa Excelência será informada (mulher) a respeito das conclusões do III Seminário da FALE.

Concordância de pessoa
Embora tenham a palavra "Vossa" na expressão, as formas de tratamento exigem verbos e pronomes referentes a elas na terceira pessoa:

Vossa Excelência solicitou...
Vossa Senhoria informou...
Temos a satisfação de convidar Vossa Senhoria e sua equipe para... Na oportunidade, teremos a honra de ouvi-los...

A pessoa do emissor

O emissor da mensagem, referindo-se a si mesmo, poderá utilizar a primeira pessoa do singular ou a primeira do plural (plural de modéstia). Não pode, no entanto, misturar as duas opções ao longo do texto:

Tenho a honra de comunicar a Vossa Excelência...
Temos a honra de comunicar a Vossa Excelência...
Cabe-me ainda esclarecer aVossa Excelência...
Cabe-nos ainda esclarecer a Vossa Excelência...


Emprego de Vossa (Excelência, Senhoria, etc.) Sua (Excelência, Senhoria, etc.)

Vossa (Excelência, Senhoria, etc.), é tratamento direto - usa-se para dirigir-se a pessoacom quem se fala, ou a quem se dirige a correspondência (equivale a você):
Na expectativa do atendimento do que acaba de ser solicitado, apresento a Vossa Senhoria nossas atenciosas saudações.

Sua (Excelência, Senhoria, etc.): em relação à pessoa de quem se fala (equivale a ele fala):
Na abertura do Seminário, Sua Excelência o Senhor Reitor da PUCRS falou sobre o Plano Estratégico.

Abreviatura das formas de tratamento

A forma por extenso demonstra maior respeito, maior deferência, sendo de rigor em correspondência dirigida ao Presidente da República. Fique claro, no entanto, que qualquer forma de tratamento pode ser escrita por extenso, independentemente do cargo ocupado pelo destinatário.

Vossa Magnificência


É assim que manuais mais antigos de redação ensinam a tratar os reitores de universidades. Uma forma muito cerimoniosa, empolada, difícil de escrever e pronunciar, e em desuso. Já não existe hoje em dia distanciamento tão grande entre a pessoa do reitor e o corpo docente e discente. É, pois, perfeitamente aceita hoje em dia a fórmula >Vossa Excelência (V. Exa.). A invocação pode ser simplesmente Senhor Reitor, Excelentíssimo Senhor Reitor.


Fonte:  http://www.pucrs.br/manualred/tratamento.php