sábado, 5 de março de 2011

A Família


A Família

Você já parou algum dia para pensar como funciona uma colméia? Já se deu conta de que nela tudo é ordem, disciplina, preocupação pelo todo?

A colméia é formada por células de cera, que se contam aos milhares. Em algumas dessas células existem ovos ou larvas de abelha. Outras servem como depósitos de pólen e de mel. Essas são os favos de mel.
Numa colméia podem existir até 70 mil abelhas, que exercem diferentes funções.
As operárias são as que alimentam as larvas, cuidam da colméia, trazem comida para todos os habitantes da comunidade. Elas começam como faxineiras, limpando as células onde estão os ovos. Depois produzem a geléia real que serve para alimentar as abelhas mais jovens e a rainha. Também trabalham como babás alimentando as abelhinhas mais crescidas com pólen e mel.
Com dez dias de vida elas se tornam construtoras. Começam a produzir cera, que lhes permite construir e remendar as células da colméia.
A rainha tem como tarefa botar ovos, dos quais sairão as operárias, os zangões e as novas rainhas. No verão chega a botar em um só dia 1.500 ovos.
O zangão, desde que nasce, tem por tarefa a procriação com a rainha. Depois morre.
Tudo na colméia reflete ordem, equilíbrio.
As operárias são também as que saem da colméia para buscar a matéria prima de que necessitam. Estranhamente, elas nunca se enganam no caminho de volta para casa, para onde retornam com sua preciosa carga.
Embora sua vida seja curta, de cinco semanas apenas, elas não se cansam de trabalhar, sem cansaço, pelo bem-estar de toda a equipe.

Podemos pensar na família como uma colméia racional. Cada um tem sua tarefa a cumprir, visando o crescimento da pequena coletividade, como exige o lar.
E todos são importantes no desempenho do grupo doméstico.
É no seio da família, na intimidade do lar, que se vão descobrir operárias incansáveis, trabalhando sem cessar, não se importando consigo mesmas. Em constante processo de doação.
É na família que se aprende a transformar o fel das dificuldades, as amarguras das incompreensões no mel das atenções e do entendimento.
É ali que se exercita a cooperação. Afinal, como a família é uma comunidade, há necessidade de ajuda mútua.
Quando a família enfrenta as dificuldades com união, cresce e supera problemas considerados insolúveis.
Para que a família progrida no todo, cada um deve se conscientizar de sua tarefa e realizá-la com alegria.
É por este motivo que as crianças devem ser incentivadas, desde cedo, a pequenas tarefas no lar.
Retirar os pratos da mesa, lavar a louça, aquecer a mamadeira do menorzinho.
Renúncia a um pequeno lazer para satisfazer o outro. Nem que seja somente a satisfação da companhia ou de um diálogo amistoso.
Se na colméia familiar reinar o amor, conseguiremos com certeza ter elementos para uma atuação segura, verdadeiramente cristã, junto à família maior, na imensa colméia do mundo.
(Autor desconhecido)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

As Origens da celebração do Natal


As Origens da celebração do Natal

Autor: Rafael de Mesquita DiehlPublicação original: Dezembro de 2008

A solenidade do Natal, isto é, a celebração do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma das celebrações mais importantes da Santa Igreja. Contudo, não é a solenidade mais antiga (a solenidade mais antiga é, certamente, a Páscoa da Ressurreição), sendo que a uniformidade de sua celebração é posterior ao século IV. Pretendemos aqui apresentar brevemente as origens e o significado dessa importante solenidade.
I- As Origens da Celebração da Natividade do Senhor
A celebração do Natal, conforme podemos auferir pelos registros históricos, surge no século IV a partir dos principais bispados da época, embora não celebrassem na mesma data. Ao que as fontes indicam, a data do nascimento de Cristo era desconhecida dos primeiros cristãos, sendo que nem as Sagradas Escrituras, nem os Padres Apostólicos citam uma data certa.
São Clemente de Alexandria (morto em 215) relata que os escritores de seu tempo estabeleceram diversas datas como sendo a do nascimento de Jesus, embora critique essas suposições como curiosidade. Ao que tudo indica, a Natividade de Cristo ainda não era celebrada.[1]
Em Alexandria (cidade localizada no Egito - um dos bispados mais antigos, cujo primeiro bispo foi o Apóstolo São Marcos), no III século, tornou-se costume a celebração da Natividade de Cristo junto com a festa da Epifania, isto é, por volta de 6 de Janeiro. Ainda nos tempos do Concílio de Nicéia (ocorrido em 325), nas Constituições da Igreja de Alexandria lê-se dies Nativitatis et Epiphaniae (“Dia da Natividade e da Epifania”), o que indica que tais festas ainda eram celebradas conjuntamente. Contudo, entre os anos de 427 e 433 a data da celebração no Egito passou a ser o dia 25 de dezembro, conforme podemos observar pelos sermões de São Cirilo, Bispo de Alexandria e de outros autores da época. [2]
Santo Epifânio (morto em 403), que foi bispo de Salamina na Ilha de Chipre, menciona a data do nascimento de Cristo como sendo em 6 de Janeiro (Hær., li, 16, 24 en P.G., XLI, 919, 931), o que nos permite deduzir que em Chipre também tinha-se o costume de celebrar o Natal juntamente com a Epifania. Tal é o caso também da Armênia. Santo Éfrem, o Sírio (morto em 373) relata que na Mesopotâmia celebrava-se o nascimento de Cristo treze dias após o solstício de inverno (6 de janeiro). Segundo os sermões de São Gregório de Nissa (morto em 395) datados de 380, o Natal já era celebrado no dia 25 de dezembro durante essa época na região da Ásia Menor (P.G., XLVI, 788; cf, 701, 721), assim como afirmam outros contemporâneos da mesma região.[3]
Em Jerusalém (cujo primeiro bispo foi o Apóstolo São Thiago), por volta de 385, relatos mostram que a Natividade era comemorada no dia 6 de janeiro. Embora tenha havido algumas correspondências entre o bispo São Cirilo de Jerusalém (morto em 386) e o Papa São Júlio I (morto em 352) sobre uma possível mudança da data da celebração do Natal (estabelecida pelo Papa para 25 de dezembro), não foi efetuada nenhuma mudança por Cirilo. Talvez isso esteja ligado ao fato de que São Gregório Nazianzeno estava sendo criticado por ter “dividido as duas festas” (isto é, ter estabelecido a data do Natal em 25 de dezembro, separada da Epifania de 6 de janeiro) em Constantinopla. Contudo houve críticas também no sentido contrário. São Jerônimo de Strídone criticara, em um escrito de 411, o fato de Jeursalém “ocultar” a celebração do Natal ao festeja-la junto com a Epifania (en Ezeq., P.L., XXV, 18). Jerusalém apoiava sua tradição de celebrar as duas festas conjuntamente baseados na suposição de que Jesus teria sido batizado no dia de seu aniversário, conforme deduziam a partir do relato do Evangelho de São Lucas III, 23. [4]
Em Antioquia (cidade localizada na Síria, onde o Apóstolo São Pedro foi Bispo antes de tornar-se Bispo de Roma), São João Crisóstomo (morto em 407), quando ainda era Presbítero defendera a mudança da data da celebração do Natal para o dia 25 de dezembro, o que já era costume para parte da comunidade antioquina. Crisóstomo conseguiu introduzir este novo costume em Antioquia e em toda a região próxima [5], baseando-se em algumas suposições calculadas sobre a data em que São Zacarias recebeu o anúncio do Anjo Gabriel enquanto oficiava no Templo de Jerusalém. [6]
Em Constantinopla (cuja algumas tradições consideram ter sido o Apóstolo Santo André seu primeiro Bispo), a celebração do Natal no dia 25 de dezembro foi introduzida por São Gregório Nazianzeno, entre 379 e 380. Contudo, a celebração nesta data desapareceu após o desterro de Gregório em 381. Alguns escritos também sugerem que a data de 25 de dezembro foi introduzida em Constantinopla novamente pelo Imperador Arcádio e por São João Crisóstomo, nomeado Bispo da dita cidade, embora essa informação seja mais incerta.
Ao que tudo indica, em Roma o Natal, desde que começou a ser festejado, sempre fora celebrado no dia 25 de dezembro. Um dos registros mais antigos nesse sentido é a Depositio Martyrum de Filocálio, uma espécie de calendário litúrgico da época, datado de 354. [7] Nele podemos ler VIII kal. ian. natus Christus in Betleem Iudeae (“[No] oitavo [dia das] calendas de janeiro [isto é, 25 de dezembro] nasce Cristo em Belém da Judéia”). Existem referências a essa data também em um manuscrito de Santo Hipólito de Roma (morto em 235), embora alguns estudiosos julguem ser as menções a essa data contidas no escrito de Hipólito como interpolações posteriores. [8] Assim, é mais seguro afirmar que a celebração do Natal em Roma existe a partir do século IV. Também o discurso do Papa São Libério em 353 durante a cerimônia de velatio de Santa Marcelina, irmã de Santo Ambrósio de Milão (morto em 397) faz menção a data de 25 de dezembro. Tal discurso está reproduzido no tratado de Virginibus escrito por Ambrósio 23 anos depois. [9] As referências neste caso, contudo, são implícitas e não tão certas quanto as da Depositio Martyrum, embora a proximidade com este texto possa favorecer a hipótese de que o discurso do Papa mencionava de fato a celebração do Natal do Senhor.

II- A fixação da data do Natal em 25 de dezembro
Como vimos, ao longo do século IV, a maioria das principais dioceses acabou por introduzir em suas regiões de influência a celebração do Natal no dia 25 de dezembro, separado da festa da Epifania, celebrada no dia 6 de janeiro. Segundo Cyril Martindale na Enciclopédia Católica, a data de 25 de dezembro foi trazida de Roma ao Oriente durante o reavivamento anti-ariano pelos defensores da ortodoxia Católica. [10]
Como se deu a fixação dessa data? Monsenhor Mario Righetti aponta duas principais hipóteses levantadas pelos liturgistas. A primeira hipótese defendida principalmente por Usener e Botte, defende que a fixação da date em 25 de dezembro está relacionada com a festividade pagã do Natalis Invicti, isto é, a celebração do nascimento da divindade pagão do Sol Invictus (“Sol Vitorioso”) ou o deus Mitra. Defendem esses estudiosos que tal fixação de data deu-se para substituir a festa pagã do Sol Invicto por uma solenidade Cristã. De fato, a Igreja sempre procurou dar novo significado às festas pagãs, tirando-lhes o sentido pagão e substituindo por uma significação cristã. Em outras palavras, uma “cristianização” da festa pagã. Contudo, embora os Santos Padres usem o sol e o nascer do sol como símbolos de Cristo e de sua renovação no mundo e nos homens, esta analogia parece ter sido tomada do Livro de Malaquias [11] e não de alguma associação com a divindade solar pagã. Também não há nenhum registro da época que mencione explicitamente a instituição da celebração do Natal de Cristo no dia 25 de dezembro com a intencionalidade de substituição da festa pagã. [12]
A segunda hipótese, defendida por Duchesne, sugere que a fixação da data deu-se por razões astronômicas e suposições de que Cristo teria se morrido no mesmo dia da Encarnação. Sendo assim, Cristo teria sido concebido em um dia 25 de março e nascido em 25 de dezembro. Embora a primeira hipótese seja mais aceita pelos liturgistas modernos, Righetti concilia as duas hipóteses como complementares: “Observando bem, não obstante, as duas teorias poderiam completar-se mutuamente. As autoridades eclesiásticas, desejosas de substituir uma festa cristã à festa solar de 25 de dezembro, encontraram no sincronismo das duas festas (25 de março, 25 de dezembro) um motivo a mais para por a comemoração e celebração do nascimento de Cristo.” [13]
Ao fixar-se a celebração do Natal, a Igreja também fixou no calendário litúrgico as festas da Circuncisão de Cristo, Apresentação de Cristo no Templo, da Anunciação do Anjo à Virgem Maria e mesmo do Nascimento e Concepção de São João Batista. Até o século X, o Natal era considerado o início do ano litúrgico, mas depois surgiu o tempo litúrgico do Advento, de preparação para a solenidade do Natal. [14]

III- O dia 25 de dezembro como a data real do nascimento de Jesus
Conforme demonstrado, a celebração do Natal no dia 25 de dezembro surgiu em Roma por volta do século IV. Contudo, estudos recentes mostram que a decisão pode ter sido menos arbitrária do que parece. Baseados na revisão dos cálculos do historiador judeu Flávio Josefo (morto por volta de 100 d.C.) e comparação com outros cálculos de datações da época, estudiosos mostram que é muito possível a hipótese de que o monge Dionísio, o Exíguo estivesse certo ao estabelecer em 532 que a data do nascimento de Cristo tinha se dado no VIII dia das Calendas de Janeiro do ano 754 da fundação de Roma. Tal data corresponde ao dia 25 de dezembro do ano 1 a.C. [15]
Outro estudo, realizado por Shemarjahu Talmon, docente da Universidade Hebraica de Jerusalém, conseguiu através de consultas aos manuscritos de Qumran calcular a data em que a classe sacerdotal de Abias (a qual pertencia São Zacarias, pai de São João Batista) oficiava a Liturgia no Templo de Jerusalém. A classe de Abias servia duas vezes ao ano, sendo uma delas na última semana de setembro. “Eis, portanto, como aquilo que parecia mítico assume, improvisamente, uma nova verosimilhança - Uma cadeia de acontecimentos que se estende ao longo de 15 meses: em Setembro o anúncio a Zacarias e no dia seguinte a concepção de João; seis meses depois, em Março, o anúncio a Maria; três meses depois, em Junho, o nascimento de João; seis meses depois, o nascimento de Jesus. Com este último acontecimento, chegamos precisamente ao dia 25 de Dezembro; dia que não foi, portanto, fixado ao acaso.” [16] Desta forma, não só mostra que Cristo nasceu possivelmente no dia 25 de dezembro, como mostra uma compatibilidade com as demais datas de festas litúrgicas da Igreja conectadas com esse acontecimento.
Esta última hipótese torna-se ainda mais interessante se recordarmos que São João Crisóstomo usou de uma hipótese semelhante para introduzir a data de 25 de dezembro como a da celebração do Natal na diocese de Antioquia, quando ainda era apenas um presbítero nesta diocese.

IV- O significado do Natal
Cumpre-nos agora, a título de conclusão, refletir sobre o significado dessa importante solenidade cristã. Havia, nos anos que antecederam o nascimento de Jesus, uma expectativa muito grande pela vinda do Messias, o Rei e Salvador prometido por Deus ao Seu Povo. Vários profetas já haviam falado de sua vinda. E eis que um anjo de Deus é enviado a uma pequena cidade da Galiléia, Nazaré, para anunciar a uma jovem virgem que ela traria em seu ventre o Filho de Deus. Esta jovem é a Bem-aventurada e Sempre Virgem Maria.
O nascimento de Cristo foi muito importante, pois com ele, o Senhor Jesus iniciaria Sua obra de Redenção do Gênero humano. Tal acontecimento foi permeado de diversos sinais miraculosos. Primeiramente a própria concepção milagrosa de Cristo, nascido de uma Virgem e concebido sob o poder do Espírito Santo, sem o auxílio de varão. Junto à isso a aparição de um anjo à Virgem. Depois, a estrela que mostrou o local do nascimento do Senhor.
Muitas seitas protestantes acusam o Natal de ser uma festa pagã, devido à hipótese de que a festa teria sido instituída pela Santa Igreja para substituir a festividade pagã de Mitra ou do Sol Invicto. Carece de logicidade argumentar que uma festa tem sentido pagão apenas pela coincidência das datas. Analisemos, então, o sentido de se festejar o nascimento de Cristo.
A Sagrada Escritura nos mostra que o nascimento de Jesus foi um motivo de grande júbilo não somente para os judeus, mas também para os pagãos. Tanto os pastores judeus de Belém, quanto os magos pagãos do Oriente foram à estrebaria adorar o Menino Deus recém-nascido. Como pode ser anti-cristão festejar o nascimento do Senhor se até mesmos os anjos cantaram a Glória de Deus, desse Deus que havia nascido segundo a carne? Acaso não imitam os cristãos os santos anjos do Deus ao festejarem com júbilo o nascimento de Seu Filho e Senhor Nosso?
Vimos anteriormente que muito é possível que a data real do nascimento de Nosso Senhor tenha sido de fato no dia 25 de dezembro. Mas consideremos, por um breve momento, que a data ainda seja incerta ou desconhecida e que a data fora estabelecida para substituir a festa pagã do deus Mitra. Isso altera o sentido do Natal cristão? Os cristãos celebram o Natal cientes de que o fazem comemorando o nascimento de Cristo e não de uma divindade antiga cujo culto jaz extinto desde a Antigüidade Tardia.
Ao estabelecer a data do Natal no dia do deus Sol (ou, poderíamos dizer, Cristo, ao nascer coincidentemente no mesmo dia da festividade pagã da divindade solar) a Igreja mostra que Cristo ao nascer ensinou os pagãos a não adorarem mais o sol físico, mas a adorar Aquele que é o verdadeiro “Sol da Justiça”, Jesus Cristo. Isso é exposto de maneira brilhante em um trecho da Liturgia de rito bizantino do Natal: “Teu nascimento, ó Cristo, nosso Deus, fez brilhar no mundo a luz da Sabedoria; e, graças a uma estrela, aqueles que adoravam os astros aprenderam a adorar-te, Sol de Justiça, e ao conhecer em Ti o Oriente que vem do alto: Glória a Ti, Senhor.” [17]
Neste Natal, e em todos os demais, portanto, munamo-nos dos mesmos sentimentos e da mesma Fé com que os pastores e magos foram à manjedoura. Jubilemos e glorifiquemos a Deus como os anjos do Céu e rendamos Graças ao Senhor por ter descido dos Céus e para nossa Salvação ter se feito homem. Não há para nós maior presente do que Cristo. Deus se faz homem para remir-nos do império do pecado. Este é, de fato, nosso verdadeiro presente de Natal!

Christus natus est! Gloria in excelsis Deo!
Rafael de Mesquita Diehl, 17 de Dezembro de 2008, III semana do Advento.

[1] RIGHETTI, Mons. Mario. Historia de la Liturgia. Tomo I. Parte III. Disponível em holytrinitymission.org.
[2] MARTINDALE, Cyril. Verbete Navidad na Enciclopédia Católica. Disponível em ec.aciprensa.com.
[3] Idem, Ibidem.
[4] Ibid.
[5] Ibid.
[6] Segundo essa suposição, “Zacarias, que era sacerdote, entrou no Templo no Dia da Expiação, recebendo o anúncio da concepção de João, por conseguinte, foi em setembro; seis meses depois, Cristo foi concebido, ou seja, em Março, nascendo em Dezembro.” Para tanto, vide o Verbete Navidad da Enciclopédia Católica, anteriormente citado. Estudos recentes mostram que as suposições de São João Crisóstomo não eram completamente infundadas. Voltaremos a nos deter sobre esse aspecto mais adiante.
[7] RIGHETTI, Op. Cit. Em holytrinitymission.org.
[8] MARTINDALE, Op. Cit. Em ec.aciprensa.com.
[9] RIGHETTI, Op. Cit.
[10] MARTINDALE, Op. Cit.
[11] “Mas, sobre vós que temeis o meu nome, levantar-se-á o sol de justiça que traz a salvação em seus raios. Saireis e saltareis, livres como os bezerros ao saírem do estábulo.” Malaquias III, 20.
[12] RIGHETTI, Op. Cit.
[13] Idem, Ibidem.
[14] MARTINDALE, Op. Cit.
[15] Trata-se de um estudo complexo envolvendo vários cálculos e diferentes sistemas de datações da Antigüidade. Para maiores informações vide SUNGENIS, Robert A. Boas Novas – Jesus Cristo nasceu mesmo em 25 de dezembro do ano 1 a.C. Disponível em Veritatis Splendor.
[16] MESSORI, Vittorio. Jesus nasceu mesmo num dia 25 de dezembro... Disponível em Veritatis Splendor.
[17] Citado em STEPHAN, Pe. Elie K. A História do Natal. Disponível em Ortodoxia Brasil. Aviso: Este site pertence a fiéis da Igreja Ortodoxa, que não mantém comunhão com o Papa, portanto, cismática. O presente texto, contudo, não contém nada que contrarie a Doutrina Católica.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Médico dos médicos


(Sagrado Coração de Jesus)
Mensagem lida na formatura do Curso de Medicina da PUC-PR /2010.
Boa noite a todos!
Hoje estou aqui para prestar uma homenagem ao primeiro, maior e melhor médico da história da humanidade!
Deus é esse médico, o médico dos médicos, e o mais excelente conhecedor do corpo humano. Todas as células e tecidos, órgãos e sistemas, foram arquitetados por Ele, e Ele entende e conhece a sua criação melhor do que todos.
Que médico mais excelente poderia existir?
Deus é o primeiro cirurgião da história. A primeira operação? Uma toracoplastia, quando Deus retirou uma das costelas de Adão e dela formou a mulher.
Ele também é o primeiro Anestesista, porque antes de retirar aquela costela fez um profundo sono cair sobre o homem.
Deus é o melhor Obstetra especialista em fertilização que já existiu! Pois concedeu filhos a Sara, uma mulher que além de estéril, já estava na menopausa havia muito tempo!
Jesus, o filho de Deus, que com Ele é um só, é o primeiro pediatra da história, pois disse: “Deixem vir a mim as crianças, porque delas é o reino de Deus!”
Ele também é o maior reumatologista, pois curou um homem que tinha uma mão ressequida, ou, tecnicamente uma osteoartrite das articulações interfalangeanas.
Jesus é o primeiro oftalmologista, relatou em Jerusalém, o primeiro caso de cura em dois cegos de nascença.
Ele também é o primeiro emergencista a realizar, literalmente, uma ressuscitação cardio-pulmonar bem sucedida, quando usou como desfibrilador as suas palavras ao dizer: “Lázaro, vem para fora!”, e pelo poder delas, ressuscitou seu amigo que já havia falecido havia 4 dias.
Ele é o melhor otorrinolaringologista, pois devolveu a audição a um surdo. Seu tratamento? O poder de seu amor.
Jesus também é o maior psiquiatra da história, há mais de 2 mil anos curou um jovem com graves distúrbios do pensamento e do comportamento!
Deus também é o melhor ortopedista que já existiu, pois juntou um monte de ossos secos em novas articulações e deles fez um grande exército de homens. Sem contar quando ele disse a um homem coxo: “Levanta, toma a tua maca e anda!”, e o homem andou! O tratamento ortopédico de quadril mais efetivo já relatado na história!
A primeira evidência científica sobre a hanseníase está na Bíblia! E Jesus é o dermatologista mais sábio da história, pois curou instantaneamente 10 homens que sofriam desta doença.
Ele também é o primeiro hematologista, pois com apenas um toque curou a coagulopatia de uma mulher que sofria de hemorragia havia mais de 12 anos e que tinha gastado todo o seu dinheiro com outros médicos em tratamentos sem sucesso.
Jesus é ainda, o maior doador de sangue do mundo. Seu tipo sanguíneo? O negativo, ou, doador universal, pois nesta transfusão, Ele, ofereceu o seu próprio sangue, o sangue de um homem sem pecado algum, por todas as pessoas que tinham sobre si a condenação de seus erros, e assim, através da sua morte na cruz e de sua ressurreição, deu a todos os que o recebem, o poder de se tornarem filhos de Deus! E para ter este grande presente, que é a salvação, não é necessário FAZER nada, apenas crer e receber!
O bom médico é aquele que dá a sua vida pelos seus pacientes! Ele fez isso por nós!
Ele é um médico que não cobra pelos seus serviços, porque o presente GRATUITO de Deus é a vida eterna!
No seu consultório não há filas, não é necessário marcar consulta e nem esperar para ser atendido, pelo contrário, Ele já está à porta e bate, e aquele que abrir a seu coração para Ele, Ele entrará e fará uma grande festa! Não é necessário ter plano de saúde ou convênio, basta você querer e pedir! O tratamento que ele oferece é mais do que a cura de uma doença física, é uma vida de paz e alegria aqui na terra e mais uma eternidade inteira ao seu lado no céu!
O médico dos médicos está convidando você hoje para se tornar um paciente dele, e receber esta salvação e constatar que o tratamento que Ele oferece é exatamente o que você precisa para viver!
Ele é o único caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode ir até Deus a não ser por Ele.
Seu nome é Jesus.

A este médico seja hoje o nosso aplauso e a nossa sincera gratidão!
(autor desconhecido)

sábado, 18 de dezembro de 2010

São Zósimo


(Em homenagem ao nome de meu bisavô paterno que se chamava Zósimo Isidoro.
Nacido em: 11/03/1864
Falecido em: 04/09/1939)
.
Conforme uma antiga tradição, Zózimo e outros fizeram parte do grupo dos discípulos do Senhor. Fundaram comunidades entre os judeus e os gregos. Viveram no séc. II. Numa carta aos filipenses assim escreveu São Policarpo: “Estou muito satisfeito convosco em Noss Senhor Jesus Cristo por terdes recebido os modelos da verdadeira caridade... através dos bem-aventurados Inácio, Rufo e Zósimo, como também do próprio Paulo e dos outros apóstolos. Estejam certos que todos estes não têm corrido em vão, mas na fé e na justiça... Eles não amaram o século presente, mas Aquele que por nós morreu e para nós foi ressuscitado por Deus”.
Foram companheiros de prisão de Santo Inácio de Antioquia e morreram mártires, como tantos outros cristãos da Igreja nascente.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Fraqueza da família é sinal de totalitarismo


Gabriel J. Wilson
Fraqueza da família é sinal claro de totalitarismo

Na família “aprendemos que o verdadeiro papel do Estado é de estar ao serviço dos cidadãos e não de reinventar a humanidade segundo pressupostos ideológicos artificiais: o primeiro e o mais evidente sinal de que o totalitarismo se aproxima é o afundamento da família”, afirmou a deputada Anna Záborská [foto], representante da Eslováquia no Parlamento Europeu de Estrasburgo, em entrevista ao semanário francês Valeurs Actuelles, de 18 de Novembro de 2010.
Filha do médico e bioquímico Anton Neuwirth, católico praticante, condenado pelo regime comunista checo a 12 anos de prisão por ensinar as teorias de um americano, prémio Nobel de química, Anna Záborská foi eleita deputada europeia em 2004, sendo escolhida para chefiar a comissão dos Direitos das mulheres. Ela aí descobre que sua tarefa não é fácil:
“Sob a pressão de lobbies bem organizados, por vezes financiados pela própria Comissão europeia, torna-se difícil fazer valer a ideia de que nenhum compromisso é possível sobre a dignidade da mulher, o respeito à vida desde a concepção até a morte natural e à família composta de esposo, esposa e seus filhos.”
Mas ela não desanima ao lembrar-se de uma parte de sua família desaparecida nos campos nazistas e das raras visitas que pôde fazer a seu pai nas prisões comunistas.
“Nós, do Este europeu, acrescenta, temos uma espécie de sistema antivírus no nosso cérebro. O maior perigo é o politicamente correcto, que pode nos fazer trair as nossas convicções. Quando o virus da mentira se aproxima, nós o percebemos por instinto”.
http://agenciaboaimprensa.blogspot.com/
copiada do blog uniserinterativa

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Homenagem à Irmã Maria Therezinha Tonus



À Irmã Maria Therezinha Tonus CP

“Que correria com este povo de Deus que não dá folga.
Mas é muito bom!!! É disto que eu gosto.
É maravilhoso estar onde está o povo de Deus!”
(Irmã Maria Therezinha Tonus CP)

(De Colina para o mundo)
Simples homenagem a uma grande mulher e freira,
Nossa irmã, cunhada, tia...; Irmã Maria Therezinha Tonus CP.

Pelos seus setenta anos de idade, dia 16/10/2010,
E seus quarenta e seis anos de vida religiosa 13/01/2010.

Therezinha de Jesus assumiu sua vocação.
Para a Igreja e pra Jesus entregou seu coração!

À quem conversar com a Irmã Therezinha logo percebe que, tanto em seu semblante como em sua fala, transparecem felicidades por estar trabalhando com o povo de Deus, em especial com aqueles que mais necessitam de uma palavra amiga.

Nesse trabalho de evangelizar, nossa querida irmã Maria Therezinha tem uma trajetória maravilhosa. Como ela mesma diz: “É maravilho estar onde está o povo de Deus”.
Essa caminhada ela começou ainda criança, quando na adolescência com quinze anos de idade, no dia 19 de janeiro de 1956 deixou sua casa, papai, mamãe e irmãos no querido Monte Belo em Colina (SP) e ingressou no Convento; primeiro na Santa Casa em Bebedouro SP, como aspirante, onde estudou e trabalhou aquele ano todo.
Dali, no dia de 02 de janeiro de 1957, alçou vôo mais longe de casa indo morar no aspirantado de Tremembé em São Paulo, Capital, na Comunidade de Santa Gema.
Em janeiro de 1961, por motivo de saúde, voltou como aspirante para a Santa Casa de Bebedouro onde trabalhou o ano todo.
Foi novamente para São Paulo no dia 06 de janeiro de 1962, agora como postulante e entrou no Postulantado em Pinheiros.
No ano seguinte, ali mesmo em Pinheiros, São Paulo, entrou no Noviciado em 12 de janeiro de 1963 permanecendo por três anos nessa casa.
O dia 13 de janeiro de 1964 foi um dia muito feliz para ela e também para seus familiares, nesse dia a nossa irmã fez a Profissão, tornou-se Freira, fazendo seus primeiros votos de pobreza, castidade e obediência.
No ano de 1967 no dia 31 de janeiro nossa “águia” foi para as alturas, voou mais alto ainda indo morar e trabalhar no grande Estado do Paraná. Apenas dez dias ficou em Curitiba e continuou sua estrada indo morar por um ano em Jandaia do Sul (PR), no dia 10 de fevereiro de 1967.
Retornou para Curitiba no ano seguinte onde foi morar no Colégio Passionista Nossa Senhora Menina, isso no mês de janeiro de 1968.
Depois foi residir na Comunidade Ivone Pimentel - Curitiba PR em fevereiro de 1969, e em maio do mesmo ano transferiu-se para a Comunidade São Vicente de Paulo - Curitiba.
No dia 11 de janeiro de 1970, irmanados com a Congregação Passionista seus familiares juntaram suas vozes com as vozes Angelicais num hino de Júbilo aos Céus para cantar Glórias e dar Graças ao nosso Deus pelos Votos Perpétuos da querida Irmã Therezinha. Um dia memorável!
Continuando em Curitiba, em janeiro de 1971 foi morar no Colégio Nossa Senhora Menina, prestando seus serviços nessa Comunidade por mais quatro anos.
Para descansar um pouco a cabeça, deu uma pausa no colégio e foi morar na Comunidade São Vicente de Paulo/Curitiba, isto em janeiro de 1975.
Um ano depois em janeiro de 1976 retornou novamente a Comunidade do Colégio Nossa Senhora Menina.
Como o pássaro águia que vive nas alturas e gosta de fazer vôos longos, também é assim nossa águia missionária. Ela bateu asas novamente em busca de novos horizontes e foi pousar perto da divisa do Brasil com o Paraguai na cidade de São José das Palmeiras (PR), fincando morada na Comunidade de São Gabriel onde morou de janeiro de 1980 até janeiro de 1981; quando ela novamente foi morar e trabalhar na Comunidade de São José em Jandaia do Sul (PR).
Em janeiro de 1983 retornou a Curitiba na Comunidade do Imaculado Coração de Maria, sede Provincial, sempre prestando seus relevantes serviços.
Nos anos de 1987 e 1988, pela terceira vez, foi trabalhar em Jandaia do Sul na Comunidade São José, e no mês de janeiro de 1989 voltou para Curitiba (PR) permanecendo até 1991.
Em Curitiba no mês junho de 1989 a Irmã Therezinha comemorou as Bodas de Prata – 25 anos de vida religiosa - com a presença dos irmãos: Luiza e Rui que representavam a família. Foi uma festa maravilhosa, pois, outras religiosas também comemoravam seus 50 e 60 anos de vida de total entrega ao Senhor.
Em 1992 residiu na Comunidade São Paulo da Cruz no bairro Tucuruvi em São Paulo e em janeiro de 1993 retornou a Curitiba onde foi residir na Comunidade Conservatório Musical Passionista.
Seguindo seu destino de peregrina, então em 1997 ela foi para a Comunidade Nossa Senhora do Rosário em Colombo (PR).
De janeiro de 1998 à 26 de fevereiro de 2010, residiu em Curitiba, na Sede Provincial, desenvolvendo trabalhos preciosos para sua Congregação. Sempre fiel a sua vocação e obediente nessa peregrinação de vida religiosa a Irmã desempenhou valiosos trabalhos, não só no campo religioso, mas também no educacional e de formação.
Como a Missão não pode parar, também a missionária não pára, precisa estar sempre a caminho desbravando novos horizontes.
Atualmente está residindo na Comunidade Nossa Senhora do Rosário em Colombo (PR) exercendo varias atividades apostólicas e cuidando da casa e da Obra da Irmã Antonieta. E pela Província coordena os trabalhos de divulgação e envio de material para a Itália no processo de beatificação da Venerável Irmã Antonieta Farani e da Serva de Deus Maria Madalena Frescobaldi Capponi, fundadora da Congregação.
Esteve na Itália em: 1975 Capítulo Geral: 1985 Curso para formadoras: 1997 peregrinação: 2002 Capítulo geral: 2004 Curso para formadoras. Portugal em: 1996 visita. Israel e Egito em: 1997 peregrinação. Cuba em: agosto de 1999. Espanha em: 2004 passagem Pós-Capítulo. Paraguai em: diversas vezes na assessoria de cursos e trabalhos pela Província.
Na CRB - Regional Curitiba – trabalhou: um ano secretária, três anos Vice-Presidente, três anos Presidente, três anos secretária da Província.
Seu campo de trabalho sempre foi Missão educativa, como professora – coordenadora e diretora, e na formação de novos membros da Família Passionista.
Atualmente, desde 1998 atua intensamente em assessorias na linha da formação humana e teológica nos diversos campos da teologia e da Pastoral.
Parabéns Irmã! É muito bom e é graça de Deus termos um(a) consagrado(a) na família.
Parabéns Therezinha! Que Deus te abençoe e te proteja sempre.

Nós Família Tonus
Americana SP, 30 de outubro de 2010.
Nestor & Zenaide

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"O Arroz de Palma"



Simplesmente emocionante, verdadeiro e de uma ternura impar!
"O Arroz de Palma"Francisco Azevedo

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo.
Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um.
Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir.
Preferimos o desconforto do estômago vazio.
Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.
Súbito, feito milagre, a família está servida.
Fulana sai a mais inteligente de todas.
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade.
Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo.
Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.
Aquele o que surpreendeu e foi morar longe.
Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo.
Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida.
Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.
Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher.
Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe “Família à Oswaldo Aranha”, “ Família à Rossini”, Família à “Belle Meunière” ou “Família ao Molho Pardo” em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas.
Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de “Família Diet”,
que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.Enfim, receita de família não se copia, se inventa.
A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia- a -dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança, principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer.
Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas.
Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo.
Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

Autor: Francisco Azevedo

"Se tivéssemos consciência do quanto nossa vida é passageira, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes"

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Papa fala aos Bispos do Brasil



Aborto e eutanásia são traição ao ideal democrático

Os bispos têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas, afirma Bento XVI.Seria falsa qualquer defesa dos DDHH que não compreendesse a defesa do direito à vida.
VATICANO, 28 Out. 10 / 12:39 pm (ACI).- Em seu discurso aos prelados do Regional Nordeste V da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), o Papa Bento XVI precisou que quando “os direitos fundamentais da pessoa”, tal como o direito à vida ante o aborto, “ou a salvação das almas o exigirem”, os bispos “têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas".
Faltando apenas três dias da realização do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil entre a candidata do governo Dilma Rousseff e José Serra do PSDB, e em meio de uma forte polêmica sobre o aborto, o Papa Bento XVI explicou aos bispos que "ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo»". Abaixo reproduzimos na íntegra o discurso do Papa aos bispos do Nordeste:
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Amados Irmãos no Episcopado,
«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.
Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.
Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).
Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38).
Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático -que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana - é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).
Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária - como vos disse em Aparecida - uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).
Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).
Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.
Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.
Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

PAPA DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA - BENTO XVI

sábado, 30 de outubro de 2010

Quer ter um vida baseada no amor?








Quer ter uma vida baseada no amor?
Três coisas devemos cultivar: o esforço, a verdade e a perseverança.
Três qualidades devemos preservar: o caráter, a nobreza e o cristalino coração de criança.
Três colunas devemos manter em pé a qualquer custo: a calma, o otimismo e a serenidade.
Três flores devemos plantar: a justiça, o bem e a cordialidade.
Três tesouros devemos adquirir, sim três tesouros maravilhosos: bons livros, bons discos e a alegria de não desafinar na orquestra da vida.
Três demônios nós devemos expulsar de casa: a cobiça, o medo e o rancor, sugadores de nosso sangue e energia.
Em três fontes inesgotáveis devemos beber: no verde da natureza, no azul do céu e do mar.
Três ladrões devemos “matar” antes que eles nos matem:o pessimismo, a covardia e o desânimo.
Três legados preciosos devemos defender: a honra, a pátria e a vida.
Três diamantes devemos lapidar: o trabalho, a prece e o silêncio.
Três galhos devemos podar ou até mesmo arranca-los: a língua, a indisciplina e a maledicência.
Três irmãs gêmeas devemos nutrir: a fé, o amor e a esperança.
Você quer ter uma vida de paz e um sentido de um amor inabalável. Então se lance nos braços de quem te ama e te acompanha todos os instantes de sua vida... Jesus, se entregue a Ele todos os dias!!!

Fonte: chamadaspadremarcelorossi

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Papa Bento XVI encoraja os seminaristas


PAPA BENTO XVI
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O afeto e encorajamento do Papa Bento XVI numa Carta aos seminaristas
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1. Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um «homem de Deus», como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do «big-bang». Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar connosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contacto com Deus. Quando o Senhor fala de «orar sempre», naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contacto interior com Deus. Exercitar-se neste contacto é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo facto de que Deus está perto de nós e podemos servi-Lo.
(segue)
Fonte: Uniserinterativa

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A História da Aparição da Imagem de Nossa Senhora Aparecida


Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb.
Nº 405 – Ano 1996 – Pág. 72


NOSSA SENHORA APARECIDA: HISTÓRICO

Em síntese: Em 1717 três pescadores, após frustrada tentativa de apanhar peixes no rio Paraíba do Sul perto de Guaratinguetá (SP), colheram em suas redes o corpo de uma estátua de Maria SS. e, depois, a cabeça da mesma. A este fato se seguiu farta pescaria, que surpreendeu os três homens. Tendo limpado e recomposto a imagem, expuseram-na à veneração dos fiéis em casas de família. Verificaram-se, porém, alguns portentos, que chamaram a atenção do Pe. José Alves Vilela, pároco de Guaratinguetá. Este então decidiu construir para a Santa Mãe uma capela capaz de satisfazer ao crescente número de devotos da Virgem. Tal capela foi substituída por outra maior no morro dos Coqueiros em 1745, morro que tomou o nome de “Aparecida” (hoje cidade de Aparecida do Norte). Em 1846 foi iniciada a construção de templo mais vasto, que ainda hoje subsiste. No ano de 1980 foi concluída monumental basílica, alvo de peregrinações numerosas durante o ano inteiro. Em 1930 o Brasil foi solenemente consagrado a Nossa Senhora Aparecida pelo Cardeal D. Sebastião Leme na presença do Sr. Presidente da República e de numerosas autoridades religiosas, civis e militares.

Os acontecimentos de fins de 1995 chamaram a atenção para Maria Santíssima tal como é venerada em Aparecida do Norte (SP) e no Brasil inteiro na qualidade de Padroeira do nosso país. Sabe-se que tal devoção se deve a uma pesca surpreendente cercada de fatos extraordinárias, que suscitaram a piedade dos fiéis da região de Guaratinguetá e, posteriormente, a da população de todo o Brasil. Em 1930 a Virgem Santíssima foi proclamada Padroeira do Brasil sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (ou Nossa Senhora Imaculada em sua Conceição e Aparecida nas águas do rio Paraíba do Sul).¹

Já que versões diversas correm sobre o desenrolar dessas aparições e os atos subseqüentes, apresentaremos, a seguir, a genuína história dos eventos registrados.

1. APARIÇÃO E AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES
POPULARES (1717-1745)

Como se deu a manifestação de Nossa Senhora Aparecida?

Eis o que relatam os documentos históricos:

Em princípios do séc. XVIII lutas, por vezes sangrentas, agitavam os exploradores dos veios de ouro em Minas Gerais.

Em março de 1717, embarcou em Lisboa, com destino ao Rio, Dom Pedro de Almeida e Portugal, Conde de Assumar, que vinha substituir Dom Braz Balthasar da Silveira no governo da Capitania de São Paulo e Minas.

Chegando ao Rio em junho de 1717, o Conde de Assumar mostrou-se logo interessado em conhecer a situação da sua capitania. Seguiu, pois, em agosto para São Paulo, sede do governo respectivo, do qual tomou posse aos 4 de setembro do mesmo ano. Em vista, porém, dos tumultos registrados em Minas por motivo das minas de ouro. Dom Pedro de Almeida e Portugal resolveu dirigir-se ao local das desordens. Partiu, portanto, de São Paulo aos 25 ou 26 de setembro de 1717, deixando como substituto nessa cidade Manoel Bueno da Fonseca, oficial de grande patente.

Após cerca de 17 dias de viagem, isto é, aos 11 ou 12 de outubro de 1717, chegava o Conde de Assumar, com sua comitiva, à região de Guaratinguetá. Entre os acontecimentos faustosos que então se deram relatam os manuscritos da época o seguinte:
“A Câmara da Vila notificou então os pescadores que apresentassem todo o peixe que pudessem haver para o dito governador.
Entre muitos, foram pescar em suas canoas Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso e, principiando a lançar suas redes no porto de José Corrêa leite, continuaram até o porto de Itaguassú, distância bastante, sem tirar peixe algum. E lançando neste porto João Alves a sua rede, de rasto tirou o corpo da Senhora, sem cabeça, e, lançando mais abaixo outra vez a rede, tirou a cabeça de mesma Senhora, não se sabendo nunca quem ali a lançasse.

E, continuando a pescaria, não tendo até então peixe algum, dali por diante foi tão copiosa em poucos lances que, receosos de naufragarem pelo muito peixe que tinham nas canoas, ele e os companheiros se retiraram a suas moradas, admirados deste sucesso” (cf. Marcondes Homem de Mello, Álbum da Coroação. Brasílio Machado, A Basílica de Aparecida).

Eis o que referem os documentos mais antigos em torno do aparecimento da Virgem.

A título de ilustração, pode-se acrescentar que o porto de José Corrêa Leite, donde partiram os três mencionados pescadores, se achava à margem esquerda do rio Paraíba no bairro Tetequera (município de Pindamonhangaba). A imagem encontrada media 38 cm de altura e apresentava cor bronzeada.

Impressionados pelo fenômeno, principalmente pela pesca portentosa que se seguiu à descoberta da estátua, os três mencionados pescadores limparam com grande cuidado a imagem, e verificaram que representava Nossa Senhora da Conceição, que o povo sem demora passou a chamar “Senhora Aparecida”. Felipe Pedroso conservou a imagem em sua casa durante vários anos; por fim, resolveu dá-la a seu filho Atanásio, que morava em Itaguassú, porto onde se dera o encontro da estátua. Atanásio, movido então pela sua fé, ergueu um pequeno oratório, onde depositou a venerável efígie; aí começou o povo da vizinhança a reunir-se aos sábados à noite, a fim de rezar o santo rosário e praticar as suas devoções.

Certa vez, durante uma dessas práticas aconteceu que, embora a noite estivesse muito calma, de repente se apagaram as velas que alumiavam a imagem da Senhora. Os fiéis, querendo reacendê-las, verificaram com surpresa que elas por si, sem intervenção de alguém, se reacenderam.

Foi este o primeiro prodígio registrado em torno da Senhora Aparecida. O mesmo portento se repetiu em outras ocasiões, chegando a notícia ao conhecimento do pároco de Guaratinguetá, Pe. José Alves Vilela. O sacerdote decidiu então construir para a estátua uma capelinha mais ampla, capaz de satisfazer ao crescente número dos devotos da Virgem, a qual ia multiplicando graças a benefícios sobre os fiéis. Em breve, também essa capelinha se tornou pequena demais. Foi preciso pensar em nova construção em lugar mais elevado que a margem do rio. Escolhido o morro dos Coqueiros, o mais vistoso e acessível dos que margeiam o Paraíba, começou-se ali em 1743 a edificação de novo santuário, com a provisão do bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei João da Cruz; aos 26 de julho de 1745, a obra terminada foi devidamente benta, dando lugar à celebração da primeira Missa. Doravante o morro e suas cercanias tomaram o nome de “Aparecida”, designação até hoje conservada. “Aparecida do Norte” é designação popular, pois a cidade fica a sudeste do Estado de São Paulo.

Entre os milagres que muito provocavam o fervor do povo, conta-se o do escravo, ocorrido por volta de 1790 e famoso nos tempos subseqüentes. Segundo a versão mais abalizada, as correntes se soltaram das mãos do escravo, quando este implorava a proteção de Nossa Senhora Aparecida diante da respectiva imagem. Eis como o refere o Pe. Claro Francisco de Vasconcelos pelo ano de 1838:

“Um escravo fugitivo, que estava sendo conduzido de volta à fazenda pelo seu patrão, ao passar pela Capela, pediu para fazer oração diante da Imagem. Enquanto o escravo estava em oração, caiu repentinamente a corrente, deixando intato o colar que prendia seu pescoço. A corrente se encontra até hoje pendente da parede do mesmo Santuário como testemunho e lembrança de que Maria Santíssima tem suprema autoridade para desatar as prisões dos pecadores arrependidos. Aquele senhor, tocado pelo milagre, ofereceu a Nossa Senhora o preço dele e o levou para casa com uma pessoa livre, a fim de amar e estimar aquele seu escravo como pessoa protegida pela soberana Mãe de Deus” (relato extraído da obra de Júlio J. Brustoloni, A Mensagem da Senhora Aparecida, Ed. Santuário, Aparecida, SP, 1994).

2. DE 1745 AOS NOSSOS DIAS:
A DEDICAÇÃO DO BRASIL À VIRGEM SS.

A nova igreja foi diversas vezes reformada e aumentada, até que em 1846 foi iniciada a construção de um templo ainda mais vasto. Os trabalhos, porém, diversas vezes interrompidos, só chegaram a termo em 1888; aos 8 de dezembro desse ano, Dom Lino Deodato de Carvalho, oitavo bispo de São Paulo, procedeu à bênção do novo santuário, que até nossos dias subsiste em Aparecida, ornado com o título de “Basílica Menor”, título concedido por S. Pio X aos 29 de abril de 1908.

Para atender aos numerosos grupos de peregrinos que afluíam ao local, o mesmo prelado obteve a vinda dos RR. PP. Redentoristas, os quais desde 1894 têm a seus cuidados o santuário e a respectiva cura pastoral.

Aos 8 de setembro de 1904, realizou-se a solene coroação de Nossa Senhora Aparecida, com a participação do Sr. Núncio Apostólico Dom Júlio Tonti, do representante do Presidente da república, do Episcopado do Brasil Meridional e de grande multidão de sacerdotes e fiéis.

Finalmente, o S. Padre Pio XI houve por bem acolher o pedido da hierarquia e dos fiéis, que desejavam fosse Nossa Senhora Aparecida proclamada Padroeira principal de todo o Brasil. Aos 16 de julho de 1930 publicava S. Santidade o seguinte “Motu proprio”:

“… Por conhecimento certo e madura reflexão Nossa, na plenitude de Nosso poder apostólico, pelo teor das presentes letras, constituímos e declaramos a mui Bem-aventurada Virgem Maria concebida sem mancha, sob o título de “Aparecida”, Padroeira principal de todo o Brasil diante de Deus. Este padroado gozará dos privilégios litúrgicos e das outras honras que costumam competir aos Padroeiros principais de lugares ou regiões. Concedendo isto para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e aumentar cada vez mais a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus, decretamos que cada vez mais a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus, decretamos que as presentes letras estejam e permaneçam sempre firmes, válidas e eficazes, surtindo seus plenos e inteiros efeitos”.

Este decreto pontifício foi publicado na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, fazendo-se a consagração do Brasil à Virgem Ssma., com grande júbilo dos fiéis.

No ano seguinte, o mesmo ato se repetiu em termos mais solenes na capital da República. A imagem da Virgem foi, sim, entusiasticamente levada de Aparecida para o Rio de Janeiro, onde percorreu em procissão o centro da cidade aos 31 de maio de 1931. Finalmente na Esplanada do Castelo, em presença do Sr. Presidente da república, de altas autoridades civis e militares, de numerosas divisões das Forças Armadas, do Episcopado Brasileiro e de enorme multidão de fiéis, o Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro proferiu o ato de consagração de todo o Brasil a Nossa Senhora Aparecida, recomendando à Excelsa Padroeira todos os interesses e as necessidades da pátria.

Este ato, que mereceu os aplausos da opinião pública em geral, estava bem na linha de venerável tradição da nação brasileira, a qual sempre mostrou especial devoção à Virgem Imaculada. Entre outros fatos expressivos dessa estima, pode-se notar que, ao proclamar a independência do Brasil, D. Pedro I, o primeiro Imperador, confirmando aliás antiga provisão de Sua Majestade o rei de Portugal do ano de 1646, declarou a Virgem da Conceição Padroeira do Brasil.

Numerosos são os relatos de milagres que tanto a imprensa como a voz do povo atribuem à Virgem Aparecida. As autoridades eclesiásticas não se empenham por definir a autenticidade de tais portentos, nem mesmo a dos episódios concernentes à aparição da Senhora Imaculada no porto de Itaguassú em 1717. Doutro lado, não vêem razão para se opor à devoção de Nossa Senhora Aparecida: ao contrário, esta tem produzido os melhores frutos, espirituais e corporais, no povo brasileiro. É por isto que os Srs. Bispos têm mesmo patrocinado e fomentado a piedade para com a Excelsa Padroeira do Brasil. Contudo, a bem da verdade, deve-se notar que tal atitude favorável é independente de qualquer pronunciamento da autoridade eclesiástica sobre a genuinidade dos prodígios que se narram em torno da Virgem e do Santuário de Aparecida.

A Santa Igreja de modo nenhum entende fazer de tais relatos matéria de fé; deixa, antes, a cada um de seus filhos a liberdade de ponderar o grau de autoridade que merecem os respectivos documentos (o que de resto não desmerece o valor de autenticidade que realmente possa caber a tais episódios).

A presença do sobrenatural em Aparecida exigiu que se empreendesse a construção de nova e mais vasta Basílica. Esta, iniciada em 1955 sob os auspícios do Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, estava concluída, com todas as suas capelas e quatro naves, em 1980. A área construída é de 23.000 m² e a área coberta mede 18.000 m². A lotação normal é de 45.000 pessoas, podendo a lotação máxima chegar a 70.000 pessoas. Até hoje são relatados milagres e favores de ordem física obtidos por intercessão de Nossa Senhora Aparecida em seu Santuário; todavia o que mais importa aí, são os numerosos casos de conversão espiritual e reencontro da paz interior alcançada pelo patrocínio de Maria SSma.

O fato de que a imagem da Senhora Aparecida tem a cor preta, tem sido objeto de comentários … Na verdade, o fenômeno se explica bem pela longa permanência da estátua dentro da água do rio. Na época da descoberta o fato não deve ter tido a repercussão e importância que hoje lhe querem atribuir.

A propósito recomenda-se a leitura do livro do Pe. Júlio J. Brustoloni: A Mensagem da Senhora Aparecida, Ed. Santuário, Rua Padre Claro Monteiro, 342, Aparecida (SP), 1994.

¹ O título “Nossa Senhora Aparecida” designa a Santíssima Mãe de Deus tal como ela apareceu na localidade do Estado de São Paulo que hoje traz o nome de “Aparecida do Norte” (nas proximidades de Pindamonhangaba e Guaratinguetá). Lá Nossa Senhora se manifestou com as notas que, na arte sacra, a caracterizam como imaculada em sua conceição; daí dizer-se comumente “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”. – A mesma Virgem Ssma., tendo-se manifestado em Fátima, é chamada “Nossa Senhora de Fátima”; tendo aparecido em Lourdes, é dita “Nossa Senhora de Lourdes”, etc. Tais denominações não supõem diversas “Nossas Senhoras”, mas significam sempre a mesma Santa (“Santa Maria, Mãe de Deus …”), apenas invocada sob títulos diferentes.
Fonte: blog.cancaonova.com/felipeaquino

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

São Jerônimo


São Jerônimo encontrou o seu caminho na Bíblia
O amor cresce quando o conhecimento cresce
Estamos para findar o mês da Bíblia, setembro. E no final deste mês comemoramos o grande patrono das traduções bíblicas, que é São Jerônimo, cujo nome quer dizer "nome sagrado". Nasceu na Dalmácia, antiga Iugoslávia, em 342. Seus pais eram ricos e puderam mandá-lo para Roma realizar seus estudos. Ele morreu a 30 de setembro de 420.
Após seu encontro com o mundo cristão, Jerônimo logo percebeu que as traduções da Bíblia, em seu tempo, eram imperfeitas na linguagem e cheia de imprecisões. Iniciou, então, o seu trabalho de tradução dos textos em hebraico e grego para o latim, o que foi magnífico naquela época. Tradução que foi realizada com muita elegância, feita por completo, traduzindo todo o texto das Sagradas Escrituras do Gênesis ao Apocalipse.
A sua preocupação não era um texto erudito, para professores e sábios, mas queria atingir o povo simples. Um texto enxuto para os simples. Daí o nome de sua tradução "VULGATA", ou seja, vulgar, do povo, para pessoas comuns.
A tradução foi de tão grande magnitude a ponto de o seu texto ser utilizado em toda a Igreja Católica durante 15 séculos ininterruptos. Somente nos últimos anos, com a valorização da leitura e dos estudos bíblicos, novas traduções surgiram.
Num trecho famoso – comentário sobre Isaías e usado no oficio das leituras na memória de São Jerônimo – ele afirma, com a firmeza de suas convicções, que “ignoratio Scripturarum, ignoratio Christi est”, isto é, “a ignorância da Escritura é a ignorância de Cristo”. Sem dúvida, uma forte exortação de um Padre e Doutor da Igreja para os cristãos não só do seu tempo, mas, sobretudo, nos dias de hoje.
O estudo sério da Sagrada Escritura é uma necessidade e não um opcional para o católico que quer viver com seriedade e convicção a sua fé. São Jerônimo encontrou o caminho de sua vida na Bíblia. Graças a ele, muitos hoje podem voltar também o seu olhar para a Palavra de Deus, na qual podem encontrar a plena felicidade, impossível de alcançar na simples realidade humana. Mas que felicidade? Jesus Cristo, o Ressuscitado, cuja Palavra é Ele mesmo.
Só amamos o Cristo se O conhecemos, e O amamos como Verdade, Caminho e Vida! Verdade que encontramos nos Seus ensinamentos, algo que o escritor sagrado nos deixou, sobretudo, nos Evangelhos.
Caminho que o Senhor nos pede para seguir. Que nos encoraja a trilhar e que nos dá a Paz. Caminho traçado pelo Cristo: Paixão e Ressurreição, que ilumina nossas vidas, nossas ações e nossos relacionamentos. Caminho que nos traça, enfim, a nossa salvação.
E vida, que nos é apresentada na fonte da felicidade, que nos é apresentada no texto bíblico: a ressurreição de nossas vidas em Deus.
Este encontro com o Cristo na Bíblia vai nos facilitar esse encontro com Ele. Assim, Jesus é para nós, hoje, a Verdade na Bíblia, a Vida na Eucaristia e o Caminho que seguimos com os irmãos, tal como Ele nos ensinou. Lembremo-nos do Seu encontro com os viajantes em Emaús.
Portanto, o estudo bíblico é de fundamental e crucial importância para a nossa vida de fé. Algo que deve ter sido muito bem percebido por São Jerônimo. Porém, como ele, além do conhecimento e da erudição, o que nos faz santos é viver a Palavra de Deus, colocando-a em prática na vida de cada dia. Os santos fazem a diferença no mundo.
Não há amor verdadeiro e convicto se por nossa inteligência for ignorado. O amor cresce quando o conhecimento cresce. Isso é dado para a experiência humana, mas também se aplica à experiência espiritual.
Em resumo: não há conhecimento sem o amor de Cristo no estudo da Bíblia com Ele. Esta é a mensagem profunda São Jerônimo. O legado espiritual que esse grande santo da Igreja nos deixa é, por conseguinte, profundo e desafiador. Ele encontrou na Sagrada Escritura o seu fio condutor para Deus, a fonte e a raiz de sua caminhada de santidade.
O seu extremo zelo na tradução, o seu hercúleo trabalho desenvolvido ao longo de anos, a sua dedicação ao serviço da Palavra, concretizam-se na sua vida de fé e demonstram o seu imenso amor a Cristo e à Sua Igreja. Assim, também, irmãos e irmãs, não deveria ser a nossa caminhada cristã? Esta perspectiva de Jerônimo poderia servir para nosso itinerário de fé.

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro
Fonte: BlogCanção Nova

sábado, 25 de setembro de 2010

Santa Aurélia e Santa Neomísia

Santa Aurélia
e Santa Neomísia
Aurélia nasceu na Ásia Menor, no Oriente e era muito unida à sua irmã Neomisia. Elas costumavam procurar pobres e doentes pelas ruas para fazer-lhes caridade. E assim fizeram durante toda a adolescência, mantendo-se muito piedosas e fervorosas cristãs. Aurélia sempre dizia à irmã que, ao atingirem a idade suficiente, iriam visitar todos os lugares sagrados da Palestina, em uma longa peregrinação.
De fato, Aurélia e Neomísia foram para a Terra Santa e viram onde Jesus nasceu e viveu. Depois, fizeram todo o trajeto percorrido por ele até o monte Calvário, onde foi crucificado e morreu para salvar-nos. Aurélia, envolvida pela religiosidade da região e com o sentimento da fé reforçado, decidiu continuar a peregrinação até Roma. Assim, visitaria o célebre santuário da cristandade do Ocidente, sempre acompanhada pela irmã.
Elas não sabiam que os sarracenos muçulmanos estavam invadindo várias regiões italianas e que, avançando, já tinham atacado e devastado a Calábria e a Lucânia. Quando chegaram a Roma, as duas foram surpreendidas, na via Latina, por um grupo de invasores, que as identificaram como cristãs. Ambas foram agredidas e chicoteadas até quase à morte. Mas um fortíssimo temporal dispersou os perseguidores, que abandonaram o local. Por isso as duas foram libertadas e puderam seguir com sua viagem.
Mas, estando muito feridas, resolveram estabelecer-se na pequena Macerata, situada aos pés de uma colina muito perto da cidade de Anagni. Lá, elas retomaram a vida de caridade, oração e penitência, sempre auxiliando e socorrendo os pobres, velhos e doentes. Aurélia também tinha os dons da cura e da profecia. Assim, a fama de santidade das duas irmãs cristãs difundiu-se entre a população. Diz a tradição que Aurélia salvou os fiéis da paróquia daquela diocese. Foi num domingo de chuva, ela correu para avisar o padre que parasse a missa, pois iria cair um raio sobre a igreja. O padre, inspirado pelo Espírito Santo, ouviu seu conselho e os fiéis já estavam a salvo quando o incidente aconteceu.
Aurélia e a irmã adoeceram e morreram no mesmo dia, 25 de setembro, de um ano não registrado. Os seus corpos foram sepultados na igreja de Macerata. Mais tarde, o bispo daquela diocese, aproveitando a visita do papa Leão IX à cidade, preparou uma cerimônia solene para trasladar as relíquias das duas irmãs para a catedral de Anagni. Outra festa foi preparada quando a reconstrução da catedral terminou. Então, as relíquias de Aurélia e Neomísia foram colocadas na cripta de são Magno, logo abaixo do altar dedicado a ele.
O culto a santa Aurélia é um dos mais propagados e antigos da tradição romana. Ao longo dos séculos, Aurélia deu nome a gerações inteiras de cristãs, que passaram a festejar a santa de seu onomástico como protetora pessoal. De modo que a festa de santa Aurélia, no dia 25 de setembro, foi introduzida no calendário litúrgico da Igreja pela própria diocese de Anagni. O único texto que registrou esta tradição faz parte do Cod. Chigiano C.VIII. 235, escrito no início do século XIV. Somente em 1903 o culto obteve a confirmação canônica. Assim, as urnas contendo as relíquias das irmãs são expostas aos devotos e peregrinos durante a celebração litúrgica. Contudo há um fato curioso que ocorre nesta tradição desde o seu início. É que a maioria dos devotos só lembra que é o dia da festa de santa Aurélia, e apenas a ela agradecem pela intercessão nas graças alcançadas.
http://www.paulinas.org.br/
Transcrito de: Uneser Interativa
(Nota: Aurélia é o nome da minha querida sogra)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A flor do maracujá



















A FLOR DO MARACUJÁ


Encontrando-me com um sertanejo

Perto de um pé de maracujá

Eu lhe perguntei:

Diga-me caro sertanejo

Porque razão nasce roxa

A flor do maracujá?


*

Ah, pois então eu lhi conto

A estória que ouvi contá

A razão pro que nasci roxa

A flor do maracujá


*

Maracujá já foi branco

Eu posso inté lhe ajurá

Mais branco qui caridadi

Mais brando do que o luá

*

Quando a flor brotava nele

Lá pros cunfim do sertão

Maracujá parecia

Um ninho de argodão

*

Mais um dia, há muito tempo

Num meis que inté num mi alembro

Si foi maio, si foi junho

Si foi janero ou dezembro


*

Nosso sinhô Jesus Cristo

Foi condenado a morrer

Numa cruis crucificado

Longe daqui como o quê

*

Pregaro cristo a martelo

E ao vê tamanha crueza

A natureza inteirinha

Pois-se a chorá di tristeza

*

Chorava us campu

As foia, as ribera

Sabiá também chorava

Nos gaio a laranjera

*

E havia junto da cruis

Um pé de maracujá

Carregadinho de flor

Aos pé de nosso sinhô
*

I o sangue de Jesus Cristo

Sangui pisado de dô

Nus pé du maracujá

Tingia todas as flor

*

Eis aqui seu moço

A estoria que eu vi contá

A razão proque nasce roxa

A flor do maracujá.


Autor: Catulo da Paixão Cearense

domingo, 12 de setembro de 2010

Setembro - Mês da Bíblia


“Tua Palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho!”
(Salmo 119,105)
Setembro é o mês da Bíblia. Este mês foi escolhido pela Igreja porque no dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo (ele nasceu no ano de 340 e faleceu em 420 dC). São Jerônimo foi um grande biblista e foi ele quem traduziu a Bíblia dos originais (hebraico e grego) para o latim, que naquela época era a língua falada no mundo e usada na liturgia da Igreja.


A Bíblia é hoje o único livro que está traduzido em praticamente todas as línguas do mundo e que está em quase todas as casas. Serve de “alimento espiritual” para a Igreja e para as pessoas e ajuda o povo de Deus na sua caminhada em busca de construir um mundo melhor.“Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para argumentar, para corrigir, para educar conforme a justiça ” (2Tm 3,16). A Bíblia foi escrita por pessoas chamadas e escolhidas por Deus e que foram inspiradas através do Espírito Santo. Ela revela o projeto de Deus para o mundo; serve para que todos possamos crescer na fé e levar uma vida de acordo com o projeto de Deus. Por isso, ela é a grande “Carta de Amor” de Deus à Humanidade.
A Palavra de Deus nos revela o rosto de Deus e seu mistério. Ela é a história do Deus que caminhou com seu povo e do povo que caminhou com seu Deus. A Bíblia tem uma longa história, desde nossos pais e mães da fé (Abraão e Sara, Isaac e Rebeca, Jacó Lia e Raquel) passando por Moisés, pelos Profetas, até a vinda do Messias, e por fim a morte do último dos Doze Apóstolos quando foi escrito o último livro da Bíblia (o Apocalipse, escrito no final do I século). A Palavra de Deus demorou em torno de dois mil anos para ser escrita. Muitas pessoas fizeram parte desta história: homens, mulheres, crianças, jovens, anciãos... Por isso, podemos dizer que a Bíblia é um livro feito em mutirão.
Passaram-se os tempos, os anos, mudaram muitas coisas, impérios cresceram e caíram, tantas idéias foram superadas, mas a Palavra de Deus continua “viva e eficaz” (Hb 4,12), pois “ela permanece para sempre” (1Pd 1,25). Embora o mundo busca outros caminhos, sempre existiram pessoas e comunidades que foram fiéis, que buscaram nas Palavras Sagradas a fonte para sua inspiração, para continuar vivendo e realizando o projeto de Deus.
Mais do que história, a Bíblia é portadora de uma mensagem. Ela é capaz de denunciar e anunciar. Ela denuncia as injustiças, os pecados, as situações desumanas, de pobreza, exploração e exclusão em que vivem tantos irmãos nossos. Foi isso que fizeram os Profetas e também Jesus Cristo em algumas ocasiões, pois toda situação de injustiça e pecado é contrária ao projeto de Deus. Mas a Bíblia é, sobretudo, um livro de anúncio. Ela proclama a boa notícia vinda de Deus: Ele nos ama e nos quer bem! Ele é o Deus que caminha conosco, que está ao nosso lado e nos dá força e coragem! Foi Deus que enviou ao mundo seu Filho Jesus Cristo. Ele veio nos trazer a Boa Notícia do Reino; veio nos trazer a Salvação, o perdão dos pecados. É através da fé em Jesus Cristo que nos tornamos filhos de Deus.
Na Bíblia encontramos textos para as diversas situações da vida. Ela ajuda a fortalecer a nossa fé; é útil na nossa formação, nos momentos de crises e dificuldades, na dor, na doença ou na alegria… Para todas as realidades encontramos textos apropriados.
Todos podemos e devemos ler, estudar e conhecer a Palavra de Deus. É certo que na Bíblia encontramos alguns textos difíceis. A Bíblia mesmo diz isso (veja 2Pd 3,16¸ At 8,30-31; Dn 9,2; etc). Certas passagens foram escritas dentro de uma realidade diferente da nossa. Precisam ser interpretadas e atualizadas. Por isso, quando não entendemos um texto, é melhor passar adiante, buscar outra passagem. O Pe. Zezinho nos ensina cantando: “Dai-me a palavra certa, na hora certa, do jeito certo e pra pessoa certa”. É recomendável fazer um curso, uma Escola Bíblica ou estudar em grupos. Tudo isso ajuda a entender melhor a Bíblia.
Na verdade, todo mês devia ser Mês da Bíblia; todo dia devia ser Dia da Bíblia. Por isso, a Bíblia não pode ser apenas um ornamento em nossa casa. A Palavra de Deus deve ser o nosso alimento de cada dia e buscar nela o sustento para a nossa vida.
Termino lembrando um texto bonito de São Paulo: “Tudo o que se escreveu no passado foi para o nosso ensinamento que foi escrito, afim de que, pela perseverança e consolação, que nos dão as Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15,4). Que neste mês da Bíblia, a Palavra que vem da boca de Deus nos anime, dê força e coragem e com isso sejamos cristãos da Esperança!

Alguns conselhos práticos para quem quer ler, conhecer e viver segundo a Bíblia:
1) Pedir sempre ajuda ao Espírito Santo, isto é, iniciar sempre com uma oração;
2) Começar pelos livros e textos mais fáceis, ou seja, os Evangelhos, Atos dos Apóstolos…;
3) Ler e meditar um texto por dia (não é a quantidade que importa, mas a qualidade);
4) Procurar descobrir o contexto em que o texto foi escrito, ou seja: por que e para quem o texto foi escrito;
5) Anotar na sua Bíblia os textos que mais chamam a atenção;
6) Quando encontrar textos difíceis, passar adiante, deixar estes textos para quando participar de um curso ou quando encontrar pessoas que podem ajudar a explicar;
7) Atualizar o texto para hoje: colocá-lo em prática na vida. Celebrar e rezar a Bíblia e a vida. Viver a Palavra!
Fonte: portalcot.com

Fonte: blog uneser interativa